Ambev (ABEV3): Forte volume de cerveja e altos custos continuam dividindo analistas em ação após resultado

Ambev (ABEV3): Forte volume de cerveja e altos custos continuam dividindo analistas em ação após resultado


Ações ON da Ambev (ABEV3) registrou sessão de queda, com queda de 2,93%, para R$ 13,92, às 10h56 (horário de Brasília) na sessão após o resultado do primeiro trimestre de 2022 (1T22), mesmo com analistas de mercado destacando surpresas positivas no resultado. Vale destacar que o dia é de queda para o mercado, com o Ibovespa recuando 2,23%, a 105.929 pontos.

O Credit Suisse foi o mais otimista sobre os números da gigante de bebidas, que analistas disseram ser “particularmente impressionantes”.

Mais uma vez, a Ambev surpreendeu positivamente ao entregar um crescimento anual de 2,1% no volume de cerveja brasileira, atingindo níveis recordes de 91,3 milhões de hectolitros, apesar de um benchmark forte e tendências mais fracas do setor.

Lucro por ação acima do Credit Suisse e estimativas de consenso em 25% em média devido a impostos de renda abaixo do esperado.

O banco mantém recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para o papel e preço-alvo de R$ 16,50 em relação ao preço de quarta-feira (4) de R$ 14,34, ou potencial de valorização de 15% em relação ao último fechamento.

Embora a inflação global persistente tenha prejudicado as margens, como esperado, aponta XP, uma estratégia comercial consistente em todas as unidades da AmBev, juntamente com uma recuperação do consumo fora de casa no Brasil, ajudaram a empresa a compensar o fraco e, portanto, entregar um forte aumento na receita líquida por hectolitro, juntamente com maiores volumes em uma base anual.

A receita líquida ficou 4% acima das expectativas da XP, enquanto o lucro ajustado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi 10% superior às projeções da instituição.

A XP espera um ano desafiador pela frente, pois antecipa que as pressões gerais de custo e a inflação persistente continuarão a afetar negativamente as margens.

“No entanto, continuamos otimistas e impressionados com a rapidez com que uma empresa com mais de 100 anos conseguiu mudar durante a pior crise de todos os tempos. Esperamos que a Ambev continue ampliando suas vantagens competitivas, principalmente na frente comercial e, portanto, continue superando seus concorrentes”, avaliam os analistas.

Assim, reitera recomendação de compra e preço-alvo de R$ 18,80 na Ambev, ou potencial de valorização de 31% em relação ao último fechamento.

Para o Bradesco BBI, que também destacou os resultados como positivos, volumes de cerveja acima das expectativas indicam que a empresa continua se beneficiando dos desafios dos concorrentes, que enfrentam gargalos e precisam implementar aumentos de preços mais fortes para compensar a pressão de margem. A recomendação é superior, com preço-alvo de R$ 21, ou um upside de 46% em relação ao último fechamento.

Já o Morgan Stanley, mais pessimista com a tese de investimento da empresa, destacou que os números de vendas de cerveja foram sólidos no trimestre, mas os custos aumentaram, não trazendo grandes surpresas para o Ebitda. Assim, os analistas não veem o resultado como um catalisador para a ação e continuam com uma recomendação underweight (exposição abaixo da média do mercado) para ABEV3, com preço-alvo de R$ 14,34, ou 16,3% abaixo do valor de fechamento de véspera.

Analistas apontam para um 2022 difícil com perspectiva de arrefecimento da demanda por cerveja no Brasil, aumento da capacidade dos concorrentes e foco dos investidores nos custos de longo prazo.

Com a desaceleração da receita projetada à frente e as margens prejudicadas em níveis mais baixos por mais tempo, os analistas ainda veem os múltiplos das ações como altos e permanecem mais negativos.

O Goldman Sachs, por sua vez, tem recomendação de venda para a ação com preço-alvo de R$ 12, ou queda de 16,32% em relação ao fechamento do dia anterior, embora destaquem o resultado como bastante positivo.

A receita líquida ficou um pouco à frente do consenso da Bloomberg (+3%), enquanto o EBITDA ficou um pouco abaixo (-3%, ajustando os créditos fiscais), avaliam, com destaque positivo para o crescimento do volume de cerveja, ganhando força ao longo do trimestre e superando tanto a indústria (queda de 9%) quanto a Heineken (baixo crescimento anual de um dígito).

Como esperado, a inflação de custos permaneceu elevada e os preços não foram suficientes para compensá-la integralmente, o que acabou levando a margem Ebitda (Ebitda sobre receita líquida) a cair 2,2 pontos percentuais anualmente organicamente, abaixo do consenso da Bloomberg.

“Reconhecemos que as ABELHAS [plataforma digital B2B] vem ganhando força, mas com o portfólio de produtos não Ambev representando cerca de 3% da receita da Beer Brasil, acreditamos que pode demorar um pouco para ganhar escala”, avaliam. Os analistas esperam que o mercado continue a focar o debate no crescimento de volume de curto prazo.

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