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O Diretor de política econômica do Banco Central (BC), Fabio Kanczuk, afirmou nesta quarta-feira (13) que o Comitê de Política Monetária (Copom) tem olhado mais para a inflação do próximo ano como forma de evitar o fortalecimento da inércia inflacionária.

Kanczuk disse em inglês, evento virtual promovido pelo HSBC, que “2022 é para onde realmente estamos olhando.”

Segundo ele, o fato de o Copom, em meio a choques de oferta e problemas de credibilidade, ter dado mais atenção à inflação de 2022 em seu comunicado oficial “não é um erro”. “Foi deliberado”, disse ele.

Kanczuk lembrou que há quem defenda que um aumento excessivo da Selic neste momento pode reduzir “a inflação no longo prazo, como 2023 ou mais”, mais do que o desejado. Nesse caso, o BC precisaria cortar novamente os juros para conter a desaceleração excessiva da inflação.

Mas a trajetória de preços acima de 10%, como ocorre hoje, pode trazer mais “incertezas quanto à inércia”.

“No balanço, estamos tendendo um pouco mais para [cumprir a meta de] 2022 do que suave [os efeitos para 2023]”, ele disse.

O diretor reconheceu que “esta talvez seja a discussão mais importante no Brasil neste momento em termos de política monetária: o que fazer com o horizonte e para onde olhar”.

Kanczuk destacou ainda que o setor de serviços “vai olhar para toda a inflação” para reajustar seus preços. “Será uma inflação mais geral que afetará a inflação de serviços”, disse, lembrando que a inércia inflacionária da economia como um todo “vai importar muito mais” para definir a trajetória de preços do setor.

Segundo ele, no cenário atual, a trajetória dos preços dos serviços está abaixo da meta, mas em alta e deve acabar acima da inflação de 3,7% projetada pelo BC para o próximo ano. Por sua vez, bens industriais e alimentos “não têm motivos para mostrar inércia agora”, segundo Kanczuk.

Kanczuk afirmou que “uma grande discussão” sobre mudanças na política monetária dos EUA seria “suficiente” para tornar o cenário “muito mais desafiador” para o Brasil. “Não há necessidade de mudança na política monetária”, disse ele.

Ele destacou que “não sabemos o que vai acontecer principalmente com o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA)” e se a inflação nos Estados Unidos “é transitória ou não”.

Segundo Kanczuk, se esse cenário se concretizar, “será um mundo totalmente diferente, muito mais desafiador”. Nesse caso, o BC teria “que mudar nossa política monetária”.

Nos cálculos do diretor, um aumento de 1 ponto percentual na taxa básica de juros nos Estados Unidos exigiria um aumento superior a 1 ponto percentual no Brasil.

“Quando eles aumentam, você tem que fazer mais”, disse ele. “A elasticidade da taxa de juros é maior que 1.”

Kanczuk também destacou que o O Copom trabalha com o nível final da Selic, e não com o ritmo de alta da taxa básica de juros, para cumprir as metas de inflação.

“O nível final importa muito mais do que o ritmo, sim”, disse ele. “O comunicado do Banco Central foi que vamos ajustar o orçamento [da alta da Selic] tanto quanto precisamos. ”

“Vamos com o orçamento, isso é o mais adequado agora”, disse ele.

Kanczuk também disse que a taxa de aumento de 1 ponto percentual da Selic por reunião “é suficiente” para o cumprimento das metas, segundo as informações de que o BC tem à disposição.

Mas disse que este ritmo “é uma indicação” e não “um compromisso”. “As coisas mudam o tempo todo”, disse ele.

O diretor de política econômica do BC avaliou que o “quadro fiscal criou um viés” no cenário básico da autoridade monetária para a inflação, com uma “assimetria” de alta.

“Preciso apertar a política monetária por causa desse viés”, disse ele.

Segundo ele, a inflação esperada pelo BC para 2022 “não é realmente de 3,7%”, conforme informado em comunicado oficial da autoridade monetária. “É mais alto do que isso, por causa desse problema fiscal”, disse ele. “Concordamos que o quadro fiscal torna a projeção de inflação mais alta.”

Atualmente, a autoridade monetária tem como meta 2022 e, em menor escala, 2023 para impulsionar a Selic. Para cada um dos anos, as metas de inflação são 3,5% e 3,25%, respectivamente. No acumulado de 12 meses até setembro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 10,25%.

A taxa básica de juros é de 6,25% ao ano. O Copom afirmou que “antecipa” um novo aumento de 1 ponto percentual para a próxima reunião. Ele disse, ainda, que trabalha com um cenário em que elevará a Selic a um patamar “bastante contracionista” ao final do ciclo.

A mediana das projeções das instituições financeiras e consultorias, coletada no Boletim Focus, aponta Selic em 8,25% ao ano ao final de 2021 e 8,75% ao ano ao final de 2022.

Combustíveis e commodities

Kanczuk também destacou que “o enorme aumento” dos preços dos combustíveis levou a uma expansão do repasse cambial. “Em ambas as direções, apreciação ou depreciação, isso terá mais importância para a inflação do que há um ano.”

No evento, Kanczuk também defendeu que o Copom “ainda vê” o preço das commodities em reais “como um risco baixista para a inflação”. “Acreditamos que em algum momento no futuro [o preço de commodities em reais] deve cair. ”

“Isto não é uma ‘chamada’ [aposta] de commodities mais baixas ou de um real mais valorizado ”, afirmou. “BC está focado principalmente em [cumprir a meta de inflação de] 2022. ”

Outro ponto abordado no evento foi o aumento do poder da política monetária, que vem sendo debatido pelo Copom “desde antes da pandemia”.

“Parece que aumentou um pouco, por causa do aumento do crédito, menos BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), aprovação da TLP (Taxa de Longo Prazo)”, disse. “Estamos vendo que nossa política monetária está mais poderosa do que antes, então precisamos de menos política monetária em ambas as direções.”


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