Bolsonaro é um cão do inferno, diz diretor do ‘Pantanal’ – 13/05/2022 – Celebridades


Rio de Janeiro

Um dos diretores do “Pantanal” e grande nome do cinema e da TV brasileira, Walter Carvalho75, recebeu na noite desta quarta-feira (12) amigos e colegas para a abertura da exposição “Iluminuras”, em uma galeria no Leblon, Rio. Feliz com quase metade [6] dos 16 quadros expostos vendidos no primeiro dia, ele conversou com F5 sobre o novo trabalho, comentou a novela e não se esquivou de um assunto delicado no meio artístico: as próximas eleições. Walter chamou Bolsonaro de ‘cão do inferno’ e assumiu que temia uma guerra no país.

Estamos em um ano de eleições extremamente polarizadas, com ataques à democracia. O que você acha que pode acontecer até outubro?
Acho que temos que estar preparados para uma atitude muito agressiva que pode acontecer. Tenho a impressão de que se continuar a perspectiva desse cão infernal que comanda o Brasil, se continuar a perspectiva de seus desejos e de suas vontades, vamos ter uma guerra.

Por que você pensa isso?
Não pode ser encarado de forma tão arbitrária como o faz com o Supremo Tribunal Federal. Você não pode atacar o STF como ele faz. Como ele também ataca o Congresso e ataca a própria sociedade. Então, acho que temos que estar muito organizados e preparados.

Como se prevenir?
Acho que vamos ter problemas para tirar esse ‘cão do inferno’ de onde ele está, então o voto consciente nessas eleições nunca foi tão importante. Hoje, por um lado, temos a coisa mais progressista, mais humanista e uma visão com desejo de um projeto social e, por outro, a irracionalidade fascista que persiste e que me dá muito medo.

Nem toda classe artística compartilha seu medo.
Acho que é direito de cada um escolher sua posição política e ninguém é obrigado a fazer nada, mas que algo menos nocivo que esse direito fascista possa ser escolhido. Tudo bem que você tem o direito de escolher, mas não poderia ser melhor? Eu sempre pergunto isso. Peço não só para as pessoas da classe artística, mas para todas as outras áreas. Conheço muito poucos na classe artística que apoiam esse ‘cão do inferno’, mas a maioria é contra.

Já dirigiu cinematografia para filmes como “Central do Brasil” (1998), “Lavoura Arcaica” (2001), séries e novelas, sendo “Amor de Mãe” (2019) o mais recente. A experiência no “Pantanal” é de alguma forma diferente do que você já fez antes?
Há uma exuberância de beleza natural no Pantanal, mas você não está ali contando a história da natureza, do lugar. Você está contando a história do ser humano. Aliás, de vários seres humanos na novela: Juma, Jove, Muda, José Leôncio… Então vamos dar um conceito, uma liberdade dos personagens dentro daquela paisagem incrível. É o ator, o texto e essa natureza, sem verniz ou quaisquer efeitos de linguagem ou artifícios da representação narrativa. Isso faz com que o espectador se sinta na frente da TV e aproveite o que está assistindo.

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