Combater aumentos abusivos dos combustíveis. Por que Lula tem razão #economia

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No início de 2022, testemunhamos a mais aumentos de combustível e gás de cozinha no Brasil. Logo depois, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a política adotada pelo atual governo federal para o setor. Porque eleva cada vez mais os preços, principalmente da gasolina e do diesel, além da energia elétrica, principais responsáveis ​​pelas altas taxas de inflação.

Recentemente, fizemos um estudo que virou dissertação de mestrado da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) e em breve será exposto em livro. Pesquisamos a história da indústria do petróleo no Brasil e suas relações internacionais. No estudo, aprofundamos a busca por dados e informações sobre o período recente dessa importante indústria, notadamente nos períodos imediatamente anteriores e posteriores à maior descoberta de petróleo do mundo nos últimos anos: as reservas extraordinárias na área do pré-sal em a costa marítima nacional.

Filme explica por que os preços do combustível e do gás aumentam tanto. ver

Neste artigo, enquanto assistimos com tristeza ao anúncio de novos aumentos – e com esperança em relação à manifestação de protesto do ex-presidente Lula –, listamos aqui cinco pontos que consideramos suficientes para explicar por que, neste debate, Lula está certo.

1) O Brasil possui uma enorme reserva de petróleo, suficiente para o consumo nacional. Considerando os índices atuais de consumo, temos petróleo há dezenas de anos. Ousamos dizer que podemos ter petróleo suficiente para os próximos 100 anos: óleo de excelente qualidade, totalmente acessível e com baixo custo de produção.

2) Contamos com uma empresa extremamente eficiente na prospecção, transporte, refino e distribuição de petróleo e gás e todos os seus derivados. Essa empresa é a Petrobras, construída com muito trabalho e altos investimentos nacionais. A Petrobras é a empresa campeã na área de tecnologias para extração de petróleo em grandes profundidades, com uma equipe de profissionais de excelência. E, ainda hoje, apesar das tentativas de privatização e destruição, é responsável pela maior parte de todos os serviços da indústria petrolífera nacional.

3) Temos uma categoria de trabalhadores do setor petrolífero, os chamados petroleiros, com grande conhecimento técnico e científico. Com alto grau de responsabilidade e, em sua maioria, defensores de políticas que favoreçam a construção de uma indústria nacional onde o resultado de seu trabalho esteja a serviço da nação.

Petrobras já vendeu R$ 243,7 bilhões em ativos e caminha para privatização ‘em pedaços’

4) Havia, já amplamente desenvolvida, uma forte indústria produtora de equipamentos de todos os tipos para atender a indústria petrolífera. Essa indústria pode sim ser reconstruída com políticas e incentivos adequados para a recuperação do setor de produção naval, metalurgia e componentes de alta tecnologia com base em um plano de médio e longo prazo. Está comprovado que é possível priorizar a indústria nacional, o chamado conteúdo local, sem se isolar ou desconsiderar as alianças necessárias com tecnologias e indústrias de outros países.

5) A indústria do petróleo é altamente produtora de valor social agregado, que é distribuído aos governos federal, estadual e municipal por meio de royalties e participações especiais. Essa indústria, baseada na dedicação dos trabalhadores, arrecada e distribui mais de R$ 40 bilhões anualmente. Além desses, há o fundo social, criado após a descoberta do pré-sal. Esse fundo já conta com mais de R$ 10 bilhões em saldo, que podem ser usados ​​especialmente para saúde e educação, garantindo sustentabilidade econômica para nós e para as gerações futuras.

Temos petróleo suficiente, baixo custo de produção, temos indústria de altíssima qualidade, trabalhadores qualificados e podemos reconstruir uma indústria altamente produtiva em torno da indústria do petróleo. E desta forma, dotar o país de recursos extraordinários; Tudo produzido, industrializado, vendido e consumido no Brasil.

Por que não podemos ter uma política de preços que favoreça a maioria do nosso povo?

Não temos dúvidas de que os atuais preços dos combustíveis são abusivos e a atual política de preços está errada. Essa política prejudica o povo brasileiro, o desenvolvimento econômico da nação e não favorece a indústria, o comércio e o transporte no país.

Mudar essa situação é possível e necessário. Lula está certo.


João Antonio de Moraes é coordenador da Plataforma de Água e Energia dos Trabalhadores e Camponeses. Diretor do Sindicato Único dos Petroleiros de São Paulo. Ex-Coordenador Geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP).
Luiz Alencar Dalla Costa é geógrafo, especialista em energia e mestre em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe. Integrante da Coordenação Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e da Plataforma de Água e Energia dos Trabalhadores e Camponeses.

Os artigos desta seção não expressam necessariamente a opinião do RBA

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