29 C
Aracaju
quarta-feira, fevereiro 28, 2024

Desacumulação? Veja opções para quem conclui as contribuições ao plano de previdência privada

Grupo de notícias clique aqui

Segundo dados levantados pela Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), cerca de 10,8 milhões de pessoas tinham algum plano de previdência privada aberto até o final de 2022, o equivalente a 8% dos brasileiros com idade entre 20 e 65 anos.

Essa é a parcela da população brasileira que se encontra atualmente na fase de acumulação desse tipo de produto, considerado um investimento de longo prazo. O próximo passo para quem chega ao final desta etapa é a desacumulaçãoou seja, aproveitar o dinheiro acumulado ao longo de décadas – basicamente o estágio de aposentadoria.

“Mas aposentadoria hoje é um termo um tanto arcaico, que não se aplica muito, visto que aquele modelo de trabalhar até os 60 anos para se aposentar e parar de trabalhar, cada vez mais, é mais específico para menos pessoas, porque o modelo de trabalhar em um empresa por um longo tempo está mudando muito. E muita gente não pensa em parar de trabalhar. Agora, desacumule, acho que todo mundo pensa”, comenta Carlos Heitor Campani, pesquisador da ENS (Escola Nacional de Seguros) e sócio da CHC Consultoria.

Quais são as opções?

Segundo Campani, o valor acumulado ao final da previdência complementar contratada pode ser utilizado de algumas formas – como resgate integral, por exemplo. Se a ideia é utilizá-lo de forma mais próxima da aposentadoria convencional, o valor acumulado pode ser revertido, oficialmente, em seis modalidades de Renda reguladas pela Susep (Superintendência de Seguros Privados), órgão fiscalizador do mercado.

Todos os modos geram pagamentos mensais e eles também são ajustado anualmente pela Inflação. “O índice precisa estar no documento que rege o plano, então já é conhecido, e posso garantir que 99,9% é o IPCA. A Susep permite a utilização de outros, como o IPC ou o próprio IGP-M. Mas eles (as seguradoras) acabam por não o utilizar”, explica o investigador da ENS.

As opções regulamentadas são:

  • Renda mensal vitalícia: consiste em uma Renda paga ao participante a partir da data de concessão do benefício e que cessa com o seu falecimento.
  • Renda Mensal Temporária: consiste em uma Renda paga temporária e exclusivamente ao participante, encerrando-se com o seu falecimento ou ao final do período contratado, o que ocorrer primeiro.
  • Renda mensal vitalícia com prazo mínimo garantido: consiste em uma Renda paga ao participante a partir da data de concessão do benefício e que cessa com o seu falecimento, sendo garantido aos beneficiários um prazo mínimo de recebimento, que deve ser indicado no ato da contratação. Caso o participante venha a falecer antes de completar o período mínimo de garantia escolhido, o pagamento dos rendimentos será feito aos beneficiários de acordo com os percentuais indicados na proposta de inscrição, pelo período remanescente do período mínimo de garantia. Em caso de falecimento após o período mínimo garantido escolhido, a continuidade do pagamento do aluguel será automaticamente cancelada.
  • Renda Mensal Vitalícia Reversível ao Beneficiário Indicado: consiste em uma Renda paga ao contratante a partir da data de concessão do benefício. Em caso de falecimento do participante, um percentual do seu valor, estabelecido na proposta de inscrição, reverterá em favor vitalício do beneficiário indicado. O benefício extingue-se em caso de falecimento do beneficiário antes do participante ou após o início do recebimento dos rendimentos.
  • Renda Mensal Vitalícia Reversível ao Cônjuge com Continuidade para Menores: consiste em uma Renda paga ao participante a partir da data escolhida para a concessão do benefício. Em caso de falecimento deste, uma percentagem do seu valor estabelecida no contrato será revertida ao cônjuge por toda a vida e, na falta deste, temporariamente reversível ao(s) menor(es) até atingirem a maioridade estabelecida no art. regulamento (18, 21 ou 24 anos).
  • Renda Mensal por Prazo Fixo: consiste em um aluguel mensal a ser pago por um período pré-estabelecido pelo contratante que indicará o prazo máximo para o pagamento do aluguel, em meses, que serão contados a partir da data de sua concessão.

Na Brasilprev, por exemplo, são aproximadamente 18.000 clientes recebendo receitas, considerando um universo de cerca de 80.000 clientes em todo o mercado já recebendo receitas adicionais. A idade média de contratação do aluguer pelos clientes da empresa é de 59 anos, com uma tendência de aumento nos últimos anos. Além disso, nos planos PGBL/VGBL, 80% da receita é concentrada em Renda Vitalícia e Renda por Prazo.

CONTINUAR APÓS A PUBLICIDADE

Segundo Renato Padredi, Gerente de Produtos da Brasilprev, ele conta que recentemente a empresa tem focado na comunicação ativa com os clientes que possuem previdência e estão chegando ao estágio de descumprimento. Foi criada uma central para esses contatos e realizada uma pesquisa qualitativa com os clientes para entender o que eles buscam na aposentadoria, além de orientar sobre as opções disponíveis de acordo com o perfil de cada um.

A pesquisa identificou, por exemplo, que muitos desses clientes já possuem alguma Renda (como aposentadoria pública, aluguel etc.) e uma Renda complementar é algo muito importante para eles, pois traz segurança no recebimento de recursos. Além disso, identificou que muitos passaram a contribuir com o plano de previdência sem uma ideia efetiva do que fazer na aposentadoria e essa necessidade foi se formando ao longo do tempo.

“Em geral, o que os clientes procuram, resumindo em dois pontos: um é ter algo garantido e que se ele faltar, eles pensam muito no curto prazo, ‘se eu vier faltar rápido, meus familiares estão garantidos ‘. E o outro ponto que preocupa muito é a longevidade. (os clientes pensam) ‘talvez eu viva muito mais do que estou imaginando’. Então, quando o cliente contrata uma Renda por um determinado período, se ele disser quero receber por 20 anos e falecer no quinto ano, seu beneficiário receberá até completar 20 anos”, exemplifica Padredi.

Planilha Gratuita

Planeje suas despesas

Baixe grátis a planilha de controle financeiro com todos os cálculos para acompanhar seus gastos mensais

Ele acredita que a tendência é crescer o número de clientes interessados ​​em converter em Renda o valor acumulado na previdência complementar, já que quem contratou um plano entre a década de 1980 e o início dos anos 2000 já está entrando na fase de desacumulação. Um dos direcionadores deve ser o novo marco regulatório para orientar os seguros de pessoas e a previdência complementar aberta que a Susep espera publicar no início do segundo semestre.

“A Susep está em processo de lançamento de um novo marco regulatório que deve trazer mais quatro opções de receitas que vão flexibilizar tudo, poderemos ter mais soluções, e até uma combinação de soluções, para o cliente”, indica o Executivo da Susep. Brasilprev. O avanço de seguro abertoembora mais lento do que o esperado, também contribui para uma boa expectativa de atrair mais clientes – inclusive concorrentes.

Nesse ínterim, a empresa vem informando aos clientes as opções de Renda disponíveis, além de uma consultoria para orientar aqueles que não querem converter o valor acumulado em Renda, mas sim resgatar o plano conforme a necessidade.

CONTINUAR APÓS A PUBLICIDADE

Rafael Barroso, superintendente Executivo da Bradesco Vida e Previdência, observa que o contratante de um plano de previdência privada que já completou a fase de acumulação deve analisar o que faz sentido para ele no momento. Além das opções de converter em Renda e manter o valor investido no plano para fazer eventuais resgates quando necessário, o cliente também pode mesclar as duas opções e deixar uma parcela aplicada no plano enquanto converte outra parcela em Renda.

“É de total responsabilidade da seguradora garantir o contrato firmado naquele momento, quando é calculada uma Renda mensal que leva em consideração aspectos técnicos atuariais, o valor acumulado pelo cliente durante todo aquele período e a modalidade de Renda escolhida. Se for vitalício, logicamente o tamanho da Renda estará de acordo com a expectativa de vida que a tábua atuarial do plano calcula em função da idade do cliente”, exemplifica Barroso.

Ele conta que, embora o Bradesco esteja muito focado em orientar os clientes na fase de acumulação de recursos – fase em que se encontra a maioria dos clientes de previdência complementar, a empresa também tem atuado de forma mais ativa na instrução das opções de descumprimento existentes.

“Cada seguradora que está oferecendo o produto tem sua responsabilidade de orientar e falar sobre as condições do produto na íntegra, mas isso também envolve educação (financeira) da população brasileira. O Brasil ainda é um mercado que, quando comparado a mercados mais desenvolvidos nessa área, ainda tem uma possibilidade muito grande de avançar”, diz Barroso.

Como escolher a melhor opção?

Campani também observa que o Brasil ainda é um país que precisa avanço na educação financeira, pois a população começa a perceber a necessidade de acumular recursos financeiros para o futuro. No entanto, é possível notar que a maioria que chega à fase de descumprimento opta pela Renda vitalícia. No caso de quem se reforma e passa a receber o rendimento vitalício, o investigador da ENS acredita que o ponto positivo é resolver o problema da longevidade, uma vez que recebem um valor mensal até ao fim da vida.

“Mas é uma resolução simples, porque é a mais fácil. E tudo fácil e simples é caro. Se eu quiser me aposentar aos 60 anos, percebo que não vou ter dinheiro para viver porque vai me dar uma Renda pequena (mensal), considerando que a expectativa de vida é de mais 20 anos”, aponta. Ou seja, o valor acumulado terá que ser “diluído” ao longo de mais anos.

“Misturar os aluguéis” vitalícios com prazo fixo pode ser uma opção interessante, aponta Campani. “Uma ideia legal é se aposentar por um determinado período de 10 anos, com metade do seu patrimônio, e a outra metade fica protegida lá e, se você morrer, o restante da Renda vai para os beneficiários”, sugere.

O que deve ser levado em consideração, essencialmente, para selecionar a melhor opção, segundo a pesquisadora, é avaliar pontos como:

  • Questões fiscais envolvidas;
  • Expectativa de longevidade;
  • Estrutura familiar e dependentes;
  • Nível de aversão ao risco;
  • Como você lida com o dinheiro e se já possui outras fontes de Renda;
  • metas de aposentadoria

Originalmente publicado em https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/desacumulacao-veja-opcoes-para-quem-conclui-as-contribuicoes-ao-plano-de-previdencia-privada/


.

Mais Notícias

Artigo mais recente

Clique no anúncio abaixo para ler a matéria depois clique em voltar.

Com esse simples ato você ajuda a manter o nosso trabalho online. ❤️

Tempo restante: 10 segundos