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O movimento de alta dos rendimentos dos títulos americanos e os temores sobre a dinâmica da inflação global colocaram os investidores de volta na defensiva no começo desta semana, fazendo com que a demanda por proteção do dólar se intensificasse. No Brasil, aonde o cenário fiscal continua nebuloso, esse movimento foi suficiente para colocar a moeda norte-americana em patamares não vistos desde o final de abril.

Ao final do dia, o dólar foi negociado a R $ 5,4450, alta de 1,43% e próximo à alta intradiária de R $ 5,4565. É o maior nível de fechamento desde 27 de abril, quando a moeda norte-americana fechou cotada a R $ 5,46.

Com isso, o real encerrou a sessão como a moeda com pior desempenho entre as 33 mais negociadas no planeta. Em relação ao rand sul-africano, que está logo abaixo, o dólar subiu 1,16% na hora indicada.

No exterior, a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) de não ceder aos recursos e manter o plano de aumentar a produção do cartel em 400 mil barris por dia fez com que os preços dos contratos futuros do WTI fechassem no valor máximo de quatro anos, intensificando-se temores sobre a escassez global de energia e um provável impacto na recuperação.

“Uma questão chave é se os altos preços da energia se traduzirão em um aumento mais suave. Existem dois cenários possíveis”, disse Lombard Odier em um relatório. Segundo o banco suíço, um deles é a possibilidade de as famílias reduzirem o consumo para pagar os preços mais altos da energia. A segunda é a possibilidade de os BCs de todo o planeta aumentarem as taxas de juros para reter as pressões inflacionárias decorrentes desse choque.

Outro fator preocupante foi a dinâmica dos títulos do Tesouro, alimentada hoje pelas tensas negociações em torno do teto fiscal nos Estados Unidos. “Embora as taxas de juros mais altas nos EUA normalmente pesem sobre o dólar, a moeda parece se melhorar com a liquidação do mercado de ações, tal qual com as preocupações de que um aumento prematuro nas taxas de juros possa prejudicar o aumento”, observam estrategistas do Goldman Sachs. “Para que o dólar se estabilize, seria necessário que a bolsa de valores parasse de cair e que os investidores se sentissem mais à vontade com a ideia de que a normalização da política monetária dos grandes BCs não atrapalharia a recuperação econômica.”

O caldeirão de preocupações globais aumenta as persistentes preocupações locais, diz Fernando Bergallo, administrador da FB Capital. “Motivo não falta hoje para o dólar subir”, diz, lembrando questões novamente não resolvidas, como o Auxílio do Brasil e a PEC do precatório.

O profissional acredita que as reportagens do “Pandora Papers”, que mostravam que o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, mantêm contas em paraísos fiscais, ainda contribuem para a cautela no pregão de hoje. “É árduo saber se isso terá alguma repercussão. A questão é que ressoa, dá manchete, as pessoas falam sobre isso”, diz.

– Foto: John Guccione / Pexels


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