Em entrevista à Time, Lula defende reconstrução da ONU e critica papel de Biden na guerra na Ucrânia


Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento em Brasília

por Ricardo Brito







BRASÍLIA (Reuters) – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a reconstrução da Organização das Nações Unidas (ONU) quando considerou que a organização “não representa mais nada” e criticou a atuação do presidente norte-americano Joe Biden na guerra na Ucrânia, em uma entrevista com a revista Time foi ao ar na quarta-feira.

Para o PT, é urgente e necessário criar uma nova governança mundial.

“A ONU de hoje não representa mais nada. A ONU de hoje não é levada a sério pelos governos. Porque todo mundo toma uma decisão sem respeitar a ONU. Putin invadiu a Ucrânia unilateralmente, sem consultar a ONU. Os Estados Unidos costumam invadir países sem falar com ninguém e sem respeitar o Conselho de Segurança. Então precisamos reconstruir a ONU, colocar mais países, envolver mais pessoas. Se fizermos isso, começamos a melhorar o mundo”, disse ele.

Na entrevista em que falou muito sobre questões internacionais, Lula disse que, se fosse presidente do Brasil, teria chamado chefes de Estado como Biden, o russo Vladimir Putin e o francês Emmanuel Macron para tentar evitar a guerra na Ucrânia. Ele admitiu, no entanto, que não sabe se seria capaz de parar a guerra.

O ex-presidente criticou o presidente dos EUA, considerando que ele não tomou a decisão certa na guerra entre Rússia e Ucrânia.

“Os Estados Unidos têm muito peso e poderiam impedir isso, não incentivar. Ele poderia ter falado mais, poderia ter participado mais, Biden poderia ter pegado um avião e pousado em Moscou para conversar com Putin. É essa atitude que se espera de um líder. Que ele tenha interferência para que as coisas não aconteçam de forma confusa. E eu não acho que ele fez”, afirmou.

O PT disse ainda que o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy “queria a guerra” e, se não quisesse, “teria negociado um pouco mais”, embora tenha reafirmado que Putin “errou” ao invadir o país vizinho.

Às vésperas de lançar sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto, Lula disse esperar – se eleito – ter um governo melhor do que em seus dois mandatos, de 2003 a 2010. Na entrevista, porém, não deu mais informações sobre seu plano de governo. .

“Há uma expectativa de que eu volte a ser presidente do país, porque as pessoas têm boas lembranças da época em que fui presidente. As pessoas trabalhavam, as pessoas tinham aumentos salariais, os reajustes salariais estavam acima da inflação. Então, acho que as pessoas sentem falta disso e querem que melhore”, disse ele.

Mesmo assim, o PT disse ter clareza de que pode resolver os problemas do país, lembrando que eles só serão resolvidos quando os pobres estiverem participando da economia, do Orçamento e comendo. “Isso só é possível se você tiver um governo comprometido com os mais pobres”, avaliou.

O ex-presidente disse na entrevista que nunca desistiu da política e que não ficou magoado, ressentido ou zangado, mesmo depois de passar 580 dias na prisão em decorrência de sua condenação na operação Lava Jato – posteriormente anulada pelo Supremo Federal Tribunal (STF).

O PT disse que o presidente Jair Bolsonaro, provavelmente o principal adversário de Lula nas eleições de outubro, incentiva o racismo no país, embora não tenha culpa de sua existência.

“Eu não diria que ele é o culpado pelo racismo, porque o racismo é crônico no Brasil. Mas ele incentiva”, disse Lula.

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