Guedes diz que Brasil vai ‘dançar’ com EUA e China ao mesmo tempo

Guedes diz que Brasil vai 'dançar' com EUA e China ao mesmo tempo




Em Davos, ministro diz que o Brasil é visto como solução para as crises energética e alimentar que afetam o mundo após a guerra na Ucrânia O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que “todos estão apoiando o Brasil” no Fórum Econômico Mundial e que, com a reviravolta geopolítica mundial, vai “dançar” com os Estados Unidos e a China ao mesmo tempo. Leia Mais: Brasil se preocupa mais com crescimento do que eleição, em Davos, diz Mesquita, do Itaú Guedes evita falar sobre Petrobras em Davos e diz que política de preços é assunto da diretoria Em conversa com jornalistas, Guedes disse que o Brasil estava sob pressão tanto os EUA como a Europa na sequência da guerra na Ucrânia para tomar partido. Mas agora “ninguém está nos xingando” e o Brasil é visto como solução para as crises energética e alimentar. Ele exemplificou o novo interesse pelo Brasil com uma série de reuniões bilaterais nesta terça-feira em Davos, com os presidentes do UBS, Mittal, Alibaba, Sem Merck, Claure Capital, YouTube, Canada Pension Plan Investment (CPP), além de almoço com investidores . promovido pelo Itaú Unibanco. “Há demanda de 30 das maiores empresas do mundo, mas não é possível atender a todos”, disse o ministro. No Fórum Econômico Mundial, o Brasil está quase ausente da agenda, sem debate específico. As manifestações públicas da maioria das autoridades presentes são do tamanho de uma possível recessão na União Européia (UE), no Reino Unido, talvez nos EUA após o próximo ano. Ou seja, pouco se fala sobre o Brasil, exceto em círculos restritos que conhecem melhor o país. Para o ministro, “as pessoas não estão entendendo: o mundo mudou e a posição do Brasil melhorou”. “O Brasil perdeu 30 anos, não se conectou (com cadeias globais de valor). A China saiu da pobreza, a Tailândia, todos se levantaram e o Brasil estava pulando”. Paulo Guedes em reunião com o presidente do UBS, Colm Kelleher, no Fórum Econômico Mundial Foto: Reprodução/Twitter/ME a visão do ministro. E assim, segundo ele, o país pode redesenhar suas cadeias produtivas com novos eixos, como energia renovável e semicondutores. Nesse cenário, relatou Guedes, veio a pressão sobre o Brasil. Ele disse que os europeus perguntaram ao Brasil se o país estava do lado da Rússia ou do lado deles, se eles estavam com os BRICS (grupo de grandes mercados emergentes) ou com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Por sua vez, os EUA, por trás da secretária do Tesouro Janet Yellen, deixaram claro que Washington redesenharia os critérios de investimento e que o mundo nunca mais será o mesmo. Em outras palavras, os EUA precisam de cadeias de suprimentos mais próximas com parceiros confiáveis. A forma como o Brasil vai se posicionar, segundo o ministro, é ser “o cara que vai dar segurança alimentar e energética para a Europa. E os EUA, porque o Brasil é próximo e amigo, não precisarão ir para a China”. Quanto à China, “os chineses e os americanos tiveram uma sinergia que durou 30 anos, depois a China cresceu e eles começaram a brigar. Vamos dançar com os dois”. Além disso, o Brasil quer acelerar sua integração na OCDE. Ele disse que estabeleceu um bom relacionamento com Mathias Cormann, secretário-geral da OCDE, que visitará o Brasil em breve.

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