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Um amigo meu sempre conta uma história que acaba assim: – “Todo mundo é bom, só meu casaco não aparece”.

Não sei se o motivo vem de uma causa distante, uma época em que as pessoas usavam casacos brilhantes, enfeitados com dragonas de fita, denotando importância, na superioridade e na hierarquia.

Nesse caso, esse tempo passou, ou deveria ter passado, no alvorecer da República.

Na verdade, o escárnio se propõe toda vez que alguém assume uma seriedade superior, diante do procedimento comum daqueles que são por nós avaliados, especialmente políticos e governantes, neste país onde o escândalo se renova mais do que o Sol a Lua, ilumina que eles acompanhar indiferentemente a angústia humana de todos nós.

Os olhos do Dr. Eckleburg observaram tudo com indiferença.

Nesse sentido, Scott Fitzgerald em seu instigante “O Grande Gatsby”, desvendando o sonho americano, sua cultura de sucesso, aceitação de todos os vícios e promiscuidades, com dinheiro todos pagando e todos remunerando, bem coloca um grande pôster, de um óculos grande, dos olhos do Dr. TJ Eckleburg, como se ele fosse Deus, observando tudo, indiferentemente, adultério, engano, mistificação e crim3, no ambiente banal e corriqueiro, o criminoso não sendo Gatsby, de quem todos falavam misteriosamente ruim, mas não foi assim, nem fora, nem seria, embora acabasse vítim*, por ter amado alguém que não merecia, e porque no fim o mal sempre se faz, se repete e se continua , por riso frívolo, ridículo desavisado e dissimulado.

Porque se o suspeito fosse fácil de localizar, o casaco de todos bem apareceria.

Mas, voltando à zombaria do meu amigo: Todo mundo é bom, … só meu casaco …

O que me lembra de uma viagem que fiz a Praga, quando o casaco de minha esposa se perdeu em meio a orações na Catedral do Menino Jesus em Praga, a história valendo a pena porque todos ao nosso redor disseram que o casaco não tinha vindo. Enquanto minha esposa, que nunca se engana sobre as coisas, me fez procurá-lo sem encontrar o casaco que sumiu para sempre, apenas permanecendo nas fotos, comprovando que o desaparecimento aconteceu na Igreja, sem explicar, mas terminando assim.

Neste relembrado ancoradouro de barcos, vale dizer que nesta mesma oportunidade de capote sem aparecer ou desaparecer, a Boêmia também me lembra dois fatos.

O primeiro, porque é o cenário marcante onde Milan Kundera escreveu “Risos e Amores”, e, sobretudo, “A Insuportável Leveza do Ser”, quando um jovem neurocirurgião é impedido pelo Estado de conectar nervos e suturar crânios, seu especialidade, para o exercício da profissão de desbloqueador de chaminés para lareiras, pois foi assim que surgiu a República, no pós-parto da primavera de 1968, que a determinou, como corretiva de uma ordem política. Coisas de totalitarismo!

Castigo que faz o cirurgião descobrir, que ironia !, gozo de outros prazeres, pois no novo trabalho, nunca havia revelado tantas senhoras infelizes, algumas jovens e maduras, exigindo liberação de outros serviços, muito mais do que a simples alegria de uma chaminé simples, desobstruída.

Defenestração de Praga – Yikipedia

Se o gozo e a ironia não são meus, mas de Kundera, devo dizer que foi mais importante para mim no contexto de muitos outros casacos, visitando na Boêmia o famoso palácio onde ocorreram as duas defenestrações de Praga, uma em 1419 e a outro em 1618, quando os luminares “encobertos” do Império Romano-Germânico foram literalmente jogados pela janela pelo povo, algo que poderia ser esperado no último mês de setembro

Isso, no entanto, não cabe aqui, nem vale a pena, afinal, tudo continua igual, outros casacos sempre saindo e aparecendo, porque … no fundo, no fundo, todo mundo é bom, só não é: Bolsonaro!

Protesto do MTST contra o ministro Paulo Guedes

Bolsonaro que em seus “mil dias” é o culpado pela seca dos rios, pelos incêndios florestais, pela pandemia chinesa, só porque tem uma ideologia, que ninguém deveria ter, e a ousadia de tentar não roubar nem deixar outros o fazem. fazer, e a suprema heresia de reformar o país.

E há dificuldade em reformar o país, desde as fissuras agitadas em trilhões de caixas de leite condensado, até as burlas das pizzas sendo degustadas nas sarjetas, sem máscara, que coisa terrível! Sem máscara!

E com nada, nada !, para desmascarar!

E existe raiva! Até eu que incomoda, por ser resiliente e insolente, nos imprudentes 20% que o aplaudem.

Mas, como falei no início: Todo mundo é bom, só o meu casaco … alguém quer arrancar, tenta me deixar sem teto, só porque eu penso diferente!

E aí eu, que não professo ideologia, não tenho partido, nem tenho pretensões, evitando até pontuar uma reunião de guilda, condomínio, contubernio ou irmandade!

Será que mesmo assim, sem sonhos e sem desejos, alguém quer me vestir com um traje definitivo como o de Hércules, que grudou tanto na pele dele e que foi f4atal na coceira e no aperto?

Eu poderia te dizer: vamos embora! Procure outro!

Não direi, embora fosse mais fácil vê-lo à distância.

Por bom transtorno ou confiabilidade excessiva, estar comigo é sempre um bom ganho a ser verificado.

E assim, como alcalóide que retém e mantém, tanto quanto eu sei e professo, quem navega comigo torna-se, sem querer e sem saber, um bom consumidor de um vício benéfico ao qual se apega avidamente, incontrolavelmente.

Wikipedia – Hic sunt draconis

Hic non sunt draconis!

Todo mundo é bom…

Os olhos turvos do Dr. TJ Eckleburg observam tudo, incluindo os dragões.


O texto acima é opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.

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