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(AJ_Watt / Getty Images)

A alta da inflação, que atingiu 10% em 12 meses até setembro, de acordo com o IPCA-15, trouxe um problema adicional para os brasileiros na hora de fazer compras: uma grande variação no preço de um mesmo produto entre diferentes estabelecimentos.

Levantamento de cotações de 15 itens de consumo básico, entre alimentos e produtos de higiene e limpeza, revela uma diferença de até 578% no preço de um mesmo creme dental. A embalagem do produto com 90 gramas, da mesma marca, foi encontrada com o menor preço de R $ 1,18 e o maior, de R $ 8.

Discrepâncias na posição de três dígitos entre o maior e o menor preço de um mesmo produto – algo que não era incomum antes do Plano Real – também foram encontradas em leite cartonado (408,3%), sabonete (328,3%), macarrão (184,3 %), sal (155,2%), feijão (126,8%), café (106,7%) e detergente líquido (104,7%). O óleo de soja e o arroz apareceram na pesquisa com variações de 69,5% e 70,7%, respectivamente.

A pesquisa, feita a pedido do Estado O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fábio Bentes, mostra que todos os 15 itens registraram variações significativas. A diferença mais modesta, de 20,8%, apareceu nos pães industrializados, cujo preço máximo foi de R $ 7,20 e o menor, R $ 5,96.

Os preços foram levantados na última sexta-feira por meio da ferramenta Google Shopping Brasil. Entre os critérios para a realização da pesquisa, de abrangência nacional e que incluiu grandes varejistas, está o fato de o produto ser representativo do consumo básico brasileiro e estar disponível em pelo menos dez lojas físicas ou virtuais.

“As variações entre o preço mais alto e o mais baixo de um mesmo produto geralmente tendem a aumentar quando as expectativas de inflação são diferentes”, diz Bentes.

Atualmente, quando a inflação em 12 meses ultrapassa 10% e as expectativas de inflação, segundo o Boletim Focus do Banco Central, sobem há 25 semanas consecutivas (cerca de seis meses), estabelecer um preço é uma tarefa bastante complexa, diz Bentes.

“A dispersão entre o maior e o menor preço é alimentada por expectativas de inflação mais altas, porque quando os agentes econômicos vão fixar um preço, eles têm que levar em conta o custo da energia, a negociação com o fabricante e também a inflação esperada no futuro para proteger sua margem ”, argumenta.

Essa grande variação de preços é resultado das estratégias escolhidas pelos varejistas. “Nem todos os varejistas vão engordar os preços, há quem vai manter os preços baixos para tentar ganhar volume de vendas.” O resultado dessas estratégias é uma grande dispersão de preços.

Pandemia

Além da grande volatilidade nas expectativas de inflação, o economista Fábio Silveira, sócio da consultoria MacroSector, atribui essa grande dispersão de preços à desorganização das cadeias produtivas por conta da pandemia.

“Desde março do ano passado, o processo de produção está volátil e desorientado”, lembra o economista. Nesse período, as linhas de produção foram interrompidas e retomadas, com insumos adquiridos a preços diferenciados no mercado interno e externo.

“Há uma falta de coordenação muito grande, não só por causa dos ciclos de produção, mas também por causa dos custos das matérias-primas, variações cambiais e giro de estoques”, observa Silveira.

Para ele, a economia mundial enfrenta uma grande irracionalidade nas cadeias produtivas e nos processos de formação de preços, sendo a situação ainda pior no Brasil. Silveira acredita que demorará até dois anos para que o equilíbrio se restabeleça e os preços de um produto comecem a convergir para o mesmo patamar.

Com base na pesquisa CNC, o relatório escolheu seis itens – arroz, feijão, açúcar, café, leite e óleo de soja – e calculou qual seria o custo dessa cesta para o preço mais alto e mais baixo. O valor da cesta básica foi calculado considerando a quantidade consumida por uma família de quatro pessoas, critério seguido pela Fundação Procon de São Paulo.

A cesta com os produtos mais caros custaria R $ 428,98, mais que o dobro do valor da mesma cesta com os produtos mais baratos (R $ 204,92).

Bentes lembra que a alimentação em casa representa 25% do orçamento do brasileiro médio, segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE.

Hoje, a internet é uma importante ferramenta de pesquisa de preços. “Ficou mais fácil para quem tem acesso à informação”, diz o economista.


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