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O aumento do custo do crédito e as incertezas sobre a economia podem pesar na recuperação atual do investimentos, avalia o pesquisador de Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Leonardo Carvalho, cumpridor pelo Indicador do Ipea de Instrução Bruta de Capital Fixo (GFCF) O índice avançou 2,2% em julho, frente ao mês anterior, na série com ajuste sazonal, logo após estabilidade em junho. Para Carvalho, houve uma deterioração de fatores que afetam a decisão de investimento, podendo afetar o desempenho, principalmente em 2022.

“Ao pensar em investimentos, o empresário considera como estará seu negócio, qual a perspetiva do volume de negócios e do custo do crédito. E uma deterioração nessas questões foi observada. Existe um cenário menos favorável quando se analisa o balanço de riscos. O custo do crédito é maior e a percepção do aperto monetário necessário para controlar a inflação aumentou. Além do mais, indicadores de confiança, como o CNI [Confederação Nacional da Indústria] e FGV [Fundação Getulio Vargas], apresentou piora. Esses são fatores que afetam [a decisão de investimentos]”, Disse a pesquisadora.

– Foto: RODNAE Productions / Pexels

No Panorama da Situação divulgado pelo Ipea na semana passada, que inclui a análise trimestral da economia brasileira, o instituto revisou para pequeno sua projeção de aumento da FBCF em 2022, de 3,5% para 3%, na esteira da nova projeção para o Bruto Produto Interno (PIB), que passou de 2% para 1,8%. A mudança já contempla a influência do nível de juros – que afeta o custo do crédito – e ainda o aumento das incertezas. Para 2021, a projeção foi revisada de 13,7% para 13,3%, devido a uma estimativa de aumento do PIB de 4,8%.

Com esse cenário, há dúvidas sobre a continuidade da mais atual retomada dos investimentos, ressalta Carvalho, destacando que o desempenho chama atenção para o aumento generalizado dos principais segmentos que compõem os investimentos: máquinas e equipamentos e construção civil.

“A produção interna de bens de capital, que é o segmento de máquinas e equipamentos, tem apresentado bom desempenho e a construção civil mostra uma recuperação mais significativa. Nos últimos meses, foi provável ver os investimentos com um pouco mais de otimismo ”, disse.

O IPEA calcula a variação dos investimentos no país, seguindo a mesma lógica do cálculo solene feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), levando em importância o consumo aparente de máquinas e equipamentos – que corresponde à produção nacional destinado ao mercado interno mais importação – e construção civil – que são os dois principais componentes, contudo ainda inclui um terceiro grupo, denominado outros, com atividades relacionadas à silvicultura e reprodução de animais.

Em julho, em relação a junho, houve aumento nos 3 grupos que compõem os investimentos. O consumo aparente de máquinas e equipamentos cresceu 3,9%, contudo caiu 15,1% no trimestre móvel encerrado em julho. No setor da construção civil, os investimentos cresceram pelo quinto mês consecutivo, com acréscimo de 3,7% na mesma comparação.

A queda de 15,1% no consumo aparente de máquinas e equipamentos, ressalta Carvalho, é fortemente influenciada pela elevada base de comparação no começo do ano, de novo refletindo o efeito do Repetro (regime aduaneiro especial que facilita a importação de bens destinados à exploração de óleo).


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