Kalil critica Bolsonaro, elogia Lula e dispensa ‘pedigree’ para governar Minas Gerais #politica

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Elevado a um dos principais dirigentes políticos mineiros após ter sido reeleito prefeito de Belo Horizonte no primeiro turno No ano passado, Alexandre Kalil (PSD) prepara o lançamento da sua candidatura ao Governo do Minas Gerais.

Em uma entrevista com Folha, indicou que só espera passar a estação das chuvas para confirmar seu nome na disputa.

O prefeito diz que para governar o estado não é preciso ter um “grande pedigree”. “Quem propõe esperança e mostra que sabe fazer é elegível para governador de Minas”, diz.

Sobre os candidatos à Presidência da República, convoca o ex-presidente Lula (PT) de “uma das maiores lideranças socialistas do mundo”, mas diz que não pode “ligar o automático” para apoiar ninguém. Ele é enfático, porém, ao dizer que não sobe no mesmo patamar do atual presidente, Jair Bolsonaro (PL).

Você foi eleito para o primeiro mandato na prefeitura, em 2016, em um momento em que as duas principais forças políticas da cidade e do estado, PSDB e o PT foram dilacerados por escândalos. Você viu isso como uma brecha e se inscreveu ou sua entrada na disputa foi mais no “vamos ver o que acontece”, e acabou dando certo? Sou muito apegado à ciência. O que me tirou de casa para me inscrever em 2016 foram as pesquisas que indicaram que eu tinha uma chance.

Você foi atacado durante a devastação da chuva na cidade no início de 2020 e também na pandemia, pelo fechamento do Cidade. Você considera todas essas alegações injustas? Isso faz parte. Eu sabia o que estava fazendo. Mesmo no auge da pandemia, as manifestações pararam. É porque ninguém pensou que íamos empilhar 620.000 caixões. As hostilidades, que não eram hostilidades, estavam buzinando na porta de minha casa.

Agradeço a Deus por nunca ter sido assediado na minha vida. [Sobre a pandemia] havia apenas uma opção. O cara médio da inteligência tem apenas uma opção: ou ele se depara com a ciência ou se perde no tiroteio. É assim ou mort3*.

O Presidente da República, Jair Bolsonaro, seguiu o outro. Sim, mas ele foi sozinho. Sozinho. No grito do poder absolutista que ninguém ouviu. Então não ajudou o governador de Minas [Romeu Zema, do Novo], que é irmão do Presidente da República, estão sempre se abraçando, nem mesmo ele tinha o poder sobre Minas Gerais. Quem tinha eram os prefeitos. Lá no final.

Você é um pré-candidato ao governo de Minas Gerais. Você acredita que a bagagem obtida na administração da prefeitura é suficiente para comandar o estado? Para ser governador do estado, primeiro você deve ter vontade de ser. Em segundo lugar, um olhar humano. Então, para ser governador de Minas Gerais, não é preciso ter um grande pedigree. Quem chega e propõe esperança e mostra o que sabe fazer é elegível para governador de Minas.

Romeo Zema, seu possível rival no próximo ano é um dos poucos governadores que apoiam o presidente. Qual seria o interesse neste relacionamento? Eu não sei. Não sei se ele quer tomar uma cerveja com o Presidente da República. Eu era muito amigável com Michel Temer. Abrimos um hospital com 555 leitos com menos de um ano de mandato. Por que ele abriu para mim, para credenciar todos os leitos do SUS. Diferente daquele ali, que nunca olhou para Belo Horizonte. Ele veio aqui, a gente teve a tragédia das chuvas, ele voou de helicóptero, prometeu, dentro do aeroporto de Confins, R $ 1 bilhão, mandou R $ 7 milhões, e nós gastamos R $ 200 milhões.

Aparentemente, na época, o valor de cerca de R $ 1 bilhão era para todas as cidades que tiveram problemas com chuva. Mas onde a chuva caiu? Foi em Belo Horizonte. Você acha que ele gastou R $ 1 bilhão? Não é possível que ele tenha enviado R $ 1 bilhão e Belo Horizonte recebido apenas R $ 7 milhões. Estou contando [o que aconteceu]. Só que ele não é meu amigo íntimo. Ele é amigo de Zema. Não é meu amigo. Se eu fosse meu amigo, conseguiria R $ 1 bilhão lá em Brasília.

Quando você começa a ir para o interior? O governador Zema mantém uma agenda intensa de viagens. Não estou com pressa. Eu tenho que cuidar da minha cidade. Eu tenho uma responsabilidade. Irresponsável é quem está fazendo campanha extemporânea.

Você acha que Zema está fazendo uma campanha extemporânea? Certo. Isso é irresponsável. Temos compromisso.

Você está montando sua equipe para a campanha do próximo ano. Não, ainda não. Isso será pensado no momento certo. Fui o último candidato em 2016 a ser eleito prefeito de Belo Horizonte. E ganhei a eleição. Para que o prefeito de Belo Horizonte não tenha essa pressa excessiva.

Você tem que sair da linha logo. Sua chuva está chegando. Está vindo uma tempestade. O dilúvio está chegando. O prefeito de Belo Horizonte está perdendo tempo passando a noite na janela, vendo se vai chover muito. Eu não tenho tempo para isso. Essa chuva tem que passar.

É hora de confirmar sua candidatura ao governo depois da chuva? Depois da chuva, é depois da chuva. Não estou dizendo que não vou embora, que não sou um candidato. Eu não estou falando sobre isso. Estou dizendo que está sem tempo. O povo ainda não comia ossos, ainda podia comprar gasolina e já falavam da campanha. Eles cuidaram tanto da eleição que o povo foi ao vinagre. As pessoas estão fodidas.

Seu ex-secretário de governo Adalclever Lopes (PSD) esteve com o ex-presidente Lula por cerca de 15 dias. Você teve alguma participação na organização deste encontro? Vai ajudar se eu te disser que nem sabia que Adalclever estava indo para Lula?

Você não sabia? Não. E não vai adiantar nada dizer que eu não sabia, então deixe todos pensarem o que quiserem. E outra coisa, ser veiculado por ter o apoio de uma liderança como o Lula não constrange ninguém. Isso deixa todo mundo muito orgulhoso. Lula é um dos maiores líderes socialistas do mundo. Ex-presidente da republica quem saiu com mais de Aprovação de 90%. Então, alto aí.

Lula cancelou uma viagem a Belo Horizonte que ocorreria em setembro. Você o receberia nessa ocasião? Ele não marcou uma consulta comigo. Bolsonaro esteve aqui duas vezes.

Aqui na Prefeitura? Aqui, nesta sala onde você está. Não como presidente da república, mas como candidato. Aqui não há discriminação de ninguém, apesar de ele nunca ter me recebido.

Mas em uma plataforma, você subiria na de Lula ou no Bolsonaro no ano que vem? De Bolsonaro, não subo na plataforma. Com certeza. Pela consideração que teve comigo como prefeito da capital. Ele não me recebeu. Ele veio aqui duas vezes. Fui recebido como candidato e como presidente da República ele não me recebeu.

Quantas vezes você tentou falar com ele? Dois.

Para quais assuntos? Que assuntos devo discutir com o Presidente da República? Questões institucionais, repasses de dinheiro, acordos que não fez com Minas Gerais. O dinheiro do Brasil foi para o Nordeste, Rio e São Paulo. Aqui só é bom pedir um voto.

O senhor afirma que pode subir no palanque do ex-presidente Lula, mas o seu partido, o PSD, tem um pré-candidato, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Ótimo candidato. Se o PSD tem candidato, tenho a obrigação, não só moral, mas também institucional de apoiar. Aí a história de Lula vai pelo ralo. Para você ver como é tudo fantasia absoluta. Como vou apoiar o Lula se o Rodrigo for candidato a presidente?

Mas se não é o Pacheco, é o Lula? Aguentar. Aqui não há “ativação automática”. O prefeito de Belo Horizonte, se vai apoiar alguém como o prefeito de Belo Horizonte, não liga o automático. Tem que avaliar. A cidade tem que se posicionar por meio de seu prefeito em busca de algum bem para a cidade. Um governo melhor, que cuide de Belo Horizonte, nada aqui fica no piloto automático.

RAIO-X – Alexandre Kalil, 62

Foi eleito prefeito de Belo Horizonte em outubro de 2016, pelo PHS, partido dissolvido em 2019. Ele ingressou no PSD no mesmo ano. Ele foi reeleito prefeito em novembro de 2020. Antes disso, foi diretor de esportes e presidiu o Atlético-MG de 2008 a 2014. Chefiou a construtora Erkal, fundada pela família, e que entrou em falência em 2016.

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