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São Paulo – As denúncias de assédio sexual e moral que derrubaram o então presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, completaram nesta semana um ano. Os crimes vieram à tona após a divulgação de depoimentos de pelo menos cinco vítimas. Guimarães praticou as agressões desde o primeiro ano de seu Governo, em 2019, por indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo funcionários da Caixa, que trabalharam ou trabalharam em equipes ligadas diretamente ao escritório de Guimarães, eles relataram tocar em partes íntimas. E também discursos, abordagens e convites inconvenientes e desrespeitosos. Os casos de assédio teriam ocorrido durante atividades do programa Caixa Mais Brasil, realizadas em diversas cidades do país. Desde 2019, o programa já acumula mais de 140 viagens, a maioria aos finais de semana. Pedro Guimarães e sua equipe estavam hospedados no mesmo hotel onde ocorreu o assédio sexual, segundo os trabalhadores.

Mas os trabalhadores flagraram o dirigente bolsonarista também cometendo assédio moral. A prática sistemática faz parte de pesquisa da Federação Nacional das Associações dos Trabalhadores da Caixa (Fenae). Em março deste ano, Pedro Guimarães passou a ser réu e passou a responder criminalmente pelos episódios. Como o processo tramita em sigilo na Justiça Federal do Distrito Federal, os detalhes da denúncia ainda são mantidos em sigilo.

Caixa na Justiça contra Guimarães

A divulgação das denúncias desencadeou forte pressão dos trabalhadores contra práticas de assédio em instituições financeiras e em defesa dos canais de atendimento às vítimas. “Desde que assumi a presidência, estamos tomando todas as providências para coibir a prática do assédio, atuando também na capacitação de equipes para uma gestão humanizada e cobrando judicialmente os prejuízos causados ​​pela gestão anterior”, destacou o atual presidente da Caixa, a bancária Rita Serrano.

Como representante dos funcionários do Conselho de Administração do banco à época dos fatos, Serrano cobrou celeridade na apuração das denúncias de assédio sexual feitas contra o ex-presidente. Rita ocupou o cargo de 3ª conselheira da Federação Nacional das Associações dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Fenae), que atua como entidade de defesa dos direitos dos empregados.

Nesta quinta-feira (29), o Governo Serrano também lançou uma nova ação contra Guimarães. Desta vez para cobrar uma indenização paga pelo banco a um funcionário que foi coagido pelo ex-presidente a comer pimenta. Na ocasião, o trabalhador chegou a ouvir comentários homofóbicos, quando foi chamado de “bambi”. Caixa também cobra do ex-gerente a devolução de seis celulares Iphone ou o pagamento de R$ 45 mil. Além da indenização de R$ 10 milhões paga pela instituição a título de danos morais coletivos durante a gestão bolsonarista.

trabalhadores em ação

O Sindicato dos Bancários de São Paulo e Região logo no início das denúncias também se posicionou com firmeza. E exigiu que Guimarães fosse investigado e afastado. Para Neiva Ribeiro, secretária-geral do Sindicato e presidente eleita para o quadriénio 2023-2027, as denúncias deixaram claro um esquema de assédio contra os trabalhadores.

“Há uma singularidade neste caso. Os assediadores se organizaram em grupos coniventes com a violência. Não tenho dúvidas de que isso foi fruto de uma política de assédio da direção da Caixa, com os funcionários, que inclui desrespeito e assédio, fruto de uma política de desmonte dos bancos públicos. O Governo Bolsonaro, ao incitar a violência e o ódio contra mulheres, homossexuais, grupos diversos e todas as instituições democráticas, que vão desde a imprensa até o próprio processo eleitoral, fortaleceu esse comportamento”, destacou o líder. “É preciso que todos os envolvidos sejam responsabilizados, inclusive a restituição dos valores que a Caixa teve de pagar por conta de uma gestão assediadora e desastrosa”.

Campanha do Banco

Durante a Campanha Nacional Unificada de 2022, os trabalhadores reivindicaram um artigo específico para combater o assédio sexual com denúncias investigadas por uma comissão bipartite (sindicato e empresa). Seis cláusulas foram aprovadas na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria, que enfatizam o repúdio a práticas de assédio, permitindo que as vítimas façam denúncias em um canal específico.

No dia 13 de junho, foi atualizado o novo canal de denúncias do Sindicato, que já registra 53 registros, o dobro da média mensal. “Através das denúncias recebidas, o Sindicato, após apuração, exigirá soluções efetivas para os problemas enfrentados pelos trabalhadores. 73% das denúncias referem-se a assédio moral”, enfatiza Neiva. “O debate sobre a igualdade de oportunidades é muito mais que um debate interno da categoria, é um debate civilizador, e nós, como uma das categorias mais organizadas do país, podemos e devemos dar nossa contribuição à sociedade cobrando medidas mais efetivas dos bancos no combate a todo e qualquer tipo de preconceito e violência, inclusive e principalmente no combate ao assédio moral e sexual no Sistema financeiro”.

No canal, os trabalhadores podem denunciar:

  • Casos de agressão no local de trabalho;
  • assédio moral; assédio sexual;
  • Descumprimento da lei ou da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT);
  • Discriminação (gênero, raça, orientação sexual, capacitismo, preconceito de idade e outros);
  • Falta de funcionários ou terceirização;
  • Pressão no ambiente de trabalho e cobrança de metas abusivas e
  • Problema na estrutura física do local de trabalho (ar condicionado, falta de água, segurança e outros).

Suficiente! Eles não vão nos silenciar!

O sindicato também disponibiliza, desde dezembro de 2019, o programa Suficiente! Eles não vão nos silenciar!que oferece apoio a mulheres vítimas de abuso sexual, assédio moral e sexual e violência de gênero no relacionamento com seus pares no banco ou na vida familiar.

O programa visa garantir medidas de apoio aos denunciantes contra potenciais agressores, buscando a devida investigação e punição, seja na esfera empresarial, cível ou criminal, com assistência jurídica gratuita oferecida pela entidade.

Além das mulheres vítimas de violência doméstica e de gênero, o projeto Suficiente! Eles não vão nos silenciar! também oferece assistência jurídica gratuita e especializada a negros e negras em situação de discriminação racial; e para pessoas LGBTQIA+ vítimas de discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero.

Redação: Clara Assunção, com Sindicato dos Bancários de São Paulo.

Originalmente publicado em https://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/marco-da-luta-dos-bancarios-assedio-de-pedro-guimaraes-na-caixa-completa-um-ano/