Massacre: operação policial no Rio deixa ‘cenário de guerra’ e 13 m0rtos*



São Paulo – Sob o argumento de procurar chefes do Comando Vermelho (CV) escondidos na comunidade, agentes do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Polícia Federal (PF) acionaram “o maior massacre do ano” no Rio. Desde por volta das 4h desta terça-feira (24), quando começou a violenta operação policial na Vila do Cruzeiro, zona norte da cidade, 13 pessoas foram mortas – nenhuma delas era policial.

Moradores relatam um “cenário de guerra” com intenso tiroteio. Pelo menos 11 escolas da rede municipal tiveram que suspender as aulas devido ao funcionamento, segundo a Secretaria Municipal de Educação. Vídeos gravados pelo jornal Voz das Comunidades, mostrou um helicóptero blindado da Polícia Militar (PM) apoiando os agentes no terreno. Entre os m0rtos* está Gabriele Ferreira da Cunha, 41, que foi atingido por uma “bala perdida”.

O ouvidor-geral da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, Guilherme Pimentel, protestou contra a operação, afirmando que “essas ações jamais seriam toleradas nos bairros nobres da cidade. E é preciso também que não sejam mais tolerados nas favelas do Rio de Janeiro”, contestou.

“Ninguém merece passar por isso. Essas operações policiais nas favelas colocam em risco a vida de toda a população, impedem o funcionamento dos serviços públicos e do comércio, impossibilitam a saída de milhares de pessoas para trabalhar e estudar, gastam muito dinheiro e não resolvem nenhum problema de segurança nas tudo.” , lamentou Pimentel.

execução sumária

A polícia diz que as outras 12 pessoas mortas – que ainda não haviam sido identificadas no momento da redação deste artigo – estavam envolvidas em atividades criminosas. A corporação também afirma ter sido baleada ao iniciar uma “operação de emergência” na comunidade.

O argumento chamou a atenção da vereadora Tainá de Paula (PT) que questionou a reprodução da justificativa pela mídia em seu Twitter. “Quando o Código Penal Brasileiro mudou tanto que eu perdi o ponto que permite a execução sumária, gente?”. “Dez pessoas executadas em plena luz do dia, moradores morrendo por balas perdidas e a mídia tratando isso como normal”, criticou.

O parlamentar foi até a comunidade e relatou ter visto “cenas de guerra”. “Quase uma centena de mães e familiares estão à procura de notícias dos desaparecidos. Notícias de corpos e feridos na mata”. Tainá também exigiu prestação de contas do governador do Rio, Cláudio Castro (PL). “A normalização da barbárie que a favela vive faz parte da política de mort3* do estado”, comentou.

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Por volta das 12h, o disparos retomados na região e um policial civil foi atingido no rosto, elevando para cinco o número de feridos.

Maior abate do ano

O Instituto Fogo Cruzado, que reúne dados sobre vi0lência* armada, informou que esta operação policial conjunta já é “o maior massacre do ano até agora” na região do Grande Rio, referente a este ano. Até hoje, o maior também havia sido cometido na Vila do Cruzeiro. Em fevereiro, ação semelhante da PM e da PRF causou a mort3* de nove pessoas.. “Parece repetirmas não é”, escreveu o Instituto Fogo Cruzado.

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Escrito por: Clara Assunção

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