O Brasil está importando mais combustível e fertilizantes. Prepare-se para mais inflação | Brasil


A importar dentro combustíveis atingiu US$ 2,24 bilhões em abril, mais que o dobro dos US$ 1,1 bilhão desembarcados no mesmo mês do ano passado. Vocês fertilizantes e fertilizantes totalizou US$ 2,1 bilhões, quase quatro vezes os US$ 528 milhões do ano passado, também em abril.

Juntos, os dois produtos representaram mais de 20% do total de chegadas brasileiras no mês. Houve aumento na quantidade importada de ambos os produtos, mas a alta dos valores foi influenciada principalmente pelos preços e é isso que desperta a luz amarela para efeitos adicionais no bolso do brasileiro, que já enfrenta inflação acima de 10% ao ano.

Em abril, a quantidade de combustível desembarcada aumentou 11,5% em relação ao mesmo mês de 2021. Os preços médios de importação do item, porém, avançaram bem mais, 92,2%, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/ME). lançado ontem.

1 de 1 Porto de Santos: Brasil aumentou importação de combustíveis e fertilizantes — Foto: Ana Paula Paiva/Valor

Porto de Santos: Brasil aumentou importação de combustíveis e fertilizantes — Foto: Ana Paula Paiva/Valor

O Brasil, apesar de ter aumentado a produção de petróleo nos últimos anos, ainda possui capacidade de refino abaixo da demanda interna, o que torna o país dependente da importação de derivados de petróleo bruto. Entre eles, o óleo diesel, estratégico para o transporte de mercadorias e pessoas no país.

O aumento dos preços dos combustíveis importados reflete os altos preços do petróleo devido à guerra Rússia-Ucrânia e seu efeito sobre a inflação foi parcialmente mitigado pela valorização do real frente ao dólar nos primeiros meses do ano.

A mais recente desvalorização cambial, no entanto, aumentou a preocupação com a defasagem de preço praticada pela Petrobras, que não reajusta diesel e gasolina no Brasil há 56 dias. Os importadores já começam a pressionar por reajustes, apontando risco de desabastecimento no mercado interno.

O reajuste do preço dos combustíveis impacta rapidamente o bolso do consumidor. O último reajuste do preço do combustível nas refinarias, válido desde 11 de março, foi capturado pela prévia da inflação de abril. Segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a gasolina, que subiu 7,51%, exerceu a principal influência individual no indicador e no grupo transportes, cuja alta acelerou de 0,68% para 3,43% gerou a maior pressão entre as classes de despesas.

Os combustíveis já haviam apresentado preços de importação elevados, o que fez com que essa categoria avançasse entre as importações totais. De janeiro a abril, foram importados US$ 12,8 bilhões em combustíveis e lubrificantes, segundo dados da Secex. O valor é praticamente o dobro dos US$ 6,5 bilhões desembarcados nos mesmos meses do ano passado. A alta dos combustíveis feitos avança de 10,2% no ano passado para 15,8% das compras externas em 2022, considerando os quatro primeiros meses.

As importações de fertilizantes e adubos surpreenderam em abril e são consideradas atípicas. Ontem, ao divulgar os dados da balança comercial do mês, o subsecretário de Inteligência e Estatísticas do Comércio Exterior da Secex, Herlon Brandão, explicou que, segundo levantamento da agência, os produtores agrícolas anteciparam a aquisição desses insumos, provavelmente por medo de desabastecimento, uma vez que novamente sob a influência da guerra no Leste Europeu, considerando que a Rússia é um importante fornecedor global de fertilizantes. O normal, explicou, é que a importação desses insumos aumente no segundo semestre.

A guerra também aumentou os preços de fertilizantes e pesticidas, que já eram relativamente altos antes do início do conflito. O aumento eleva os custos de produção, o que também traz nova pressão para os preços dos alimentos. Parte dessa pressão já veio como efeito da guerra por meio do aumento dos preços dos grãos dos quais a Rússia e a Ucrânia são importantes fornecedores, como trigo e cereais. O nível de repasse de preços que impacta os consumidores dependerá de quanto produtores e comerciantes são capazes de absorver o aumento de custos e quanta demanda possibilita o repasse de preços.

A alimentação também vem sofrendo um aumento visível de preços para quem vai à feira ou ao supermercado. No IPCA-15 de abril, a alta de alimentos e bebidas foi de 2,25%, com aceleração contra 1,95% em março. O índice cheio avançou 1,73% em abril, ante 0,95% em março. O indicador, que teve dados coletados de 17 de março a 13 de abril, mostrou inflação abaixo das expectativas do mercado, mas ainda foi a maior alta para abril desde 1995 (1,95%) e a maior variação mensal desde fevereiro de 2003 (2,19%).

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