Outubro Rosa: pandemia interfere na detecção do câncer de mama


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As chances de cura chegam a 95% ou mais quando o tumor é descoberto precocemente (Foto: André Moreira)

Um estudo da OMS aponta para a descoberta de tumores em estágio avançado como uma “herança” de COVID-19; Consultas de rotina e exames periódicos são essenciais para a descoberta de tumores malignos em estágio inicial, chave para a cura em mais de 90% dos casos.

Enquanto os olhos do mundo ainda estão voltados para o combate ao Coronavírus, em 2021, o Outubro Rosa ganha ainda mais relevância por reforçar a mensagem sobre a importância do diagnóstico do câncer em estágio inicial, bem como de sua prevenção, do que mesmo em tempos de Covid -19 devem ser lembrados como as melhores ‘armas’ para combater a doença. O alerta especial sobre a incidência do câncer de mama, cuja ocorrência em mulheres corresponde a 99% de todos os casos registrados no mundo, é justificado pelos dados do GLOBOCAN 2020, que alerta para a necessidade de uma lupa para olhar o assunto.

O estudo, divulgado em fevereiro de 2021 pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) – entidade intergovernamental que faz parte da Organização Mundial da Saúde (OMS) – e pela American Cancer Society (ACS), mostra que o cenário da oncologia é mudando, com uma aceleração em todo o planeta na incidência de neoplasias malignas e levando o câncer de mama ao topo da lista entre os mais diagnosticados no mundo, superando pela primeira vez neste ranking os tumores de mama. pulmão.

Para o oncologista Max Mano, líder dos tumores de mama do Grupo Oncoclínicas, esse cenário é em grande parte reflexo de aspectos inerentes ao desenvolvimento socioeconômico e cultural de diferentes países. “O aumento global contínuo na incidência de câncer de mama se deve a um conjunto de fatores que incluem mudanças no estilo de vida – como a epidemia de obesidade, uso de hormônios, menarca precoce / menopausa tardia, menor (e posterior) paridade / amamentação, maior consumo de álcool, sedentarismo estilo de vida -, demográfico, relacionado ao envelhecimento da população e, possivelmente, uma maior capacidade dos países ricos em fazer diagnósticos ”, destaca.

Ele ressalta que, embora o câncer de mama ainda tenha taxas de letalidade menores em relação aos tumores de pulmão, os dados apresentados pela OMS acendem um alerta sobre a atenção às políticas públicas de incentivo à detecção da doença em países emergentes, no caso do Brasil. Por aqui, o câncer de mama é responsável por cerca de 30% de todos os casos de câncer no sexo feminino.

“Apesar do aumento da incidência, de maneira geral, a mortalidade por diversos tipos de câncer, principalmente de mama, vem diminuindo nos últimos anos. A má notícia é que isso só aconteceu, pelo menos de forma consistente, nos chamados países desenvolvidos. Devido à ocorrência de diagnósticos em estágio mais avançado e menor acesso aos tratamentos, a letalidade do câncer é maior nos países em desenvolvimento do que nos desenvolvidos, fato cruel que foi corretamente captado pelo estudo GLOBOCAN 2020 ”, aponta Max Mano.

Isso exigirá esforços contínuos para aumentar a taxa de cobertura da mamografia de rastreamento populacional, bem como o nível de conscientização das mulheres quanto às alterações na mama, exigindo atenção especializada para que o câncer de mama seja diagnosticado o mais precocemente possível.

“O baixo investimento em medidas preventivas e diagnósticas e a menor oferta de tratamentos oportunos e eficazes podem condenar países subdesenvolvidos e em desenvolvimento a anos de atraso nas políticas de combate ao câncer em comparação com seus pares mais afortunados”, diz o oncologista da Oncoclinics.

No Brasil, o câncer de mama é responsável por cerca de 67 mil novos diagnósticos de câncer a cada ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Em geral, a mamografia é o principal exame preventivo para identificação de tumores mamários. Deve ser realizado anualmente por todas as mulheres com mais de 40 anos e a decisão de adiar ou não esse exame deve ser tomada somente com orientação médica.

As chances de cura chegam a 95% ou mais quando o tumor é descoberto precocemente e o tratamento é menos invasivo, o que melhora muito a qualidade de vida durante e após o tratamento da doença.

Covid-19 trará consequências na luta contra o câncer

A descoberta tardia devido ao atraso na realização dos exames de rastreamento e à falta de acesso aos tratamentos, principalmente nos países em desenvolvimento, estão entre os aspectos destacados pela OMS como efeitos que afetam diretamente o cuidado oncológico. A organização informou que nas últimas duas décadas o número total de pessoas com câncer quase dobrou, saltando de cerca de 10 milhões em 2000 para 19,3 milhões em 2020.

As projeções indicam também que nos próximos anos há uma tendência de aumento nas taxas de detecção do câncer, chegando a um patamar de quase 50% a mais em 2040 em relação ao cenário atual, quando o mundo deve então registrar algo em torno de 28,4 milhões de casos de câncer. Isso significa que para cada 5 pessoas, uma terá câncer em algum estágio da vida. Nos países mais pobres, a incidência da doença deve crescer mais de 80%.

O número de mortes por câncer, por sua vez, passou de 6,2 milhões em 2000 para 10 milhões em 2020 – equação que indica que a cada seis mortes no mundo, uma é por câncer. E a tendência é que haja um aumento neste triste ranking, já que a OMS também indica que a pandemia trará como consequência mais casos de pacientes com câncer em estágio avançado devido a atrasos na descoberta e tratamento de tumores malignos.

Em 2020, primeiro ano dos protocolos contra o Novo Coronavírus, o Brasil, por sua vez, teve uma grande queda na busca por um diagnóstico. A mamografia de rastreamento, exame indicado como parte da rotina de atendimento às mulheres acima de 40 anos, apresentou queda de 84% em relação ao mesmo período do ano anterior. A estimativa foi feita pela Fundação do Câncer, com base em dados do Sistema Único de Saúde (SUS). Outros exames essenciais para a saúde da mulher, como o citopatológico cérvico-vaginal (pap), tanto para diagnóstico quanto para rastreamento do câncer de colo do útero, também apresentaram queda: a redução foi de mais de 50%.

Além disso, outro dado, da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) – que representa as empresas do segmento de saúde suplementar – aponta para uma queda no número de mamografias realizadas na rede privada do país de 46,4% em relação ao período de Março a agosto de 2020 com os mesmos meses de 2019.

“As consequências do adiamento do acompanhamento médico de rotina por medo da exposição ao novo coronavírus podem, a curto e médio prazo, de fato, desencadear um aumento geral nas taxas de tumores descobertos em um estágio mais avançado. Isso vai impactar a sobrevida dos pacientes com câncer, como um dos legados perversos da pandemia para a saúde como um todo ”, afirma Max Mano.

As biópsias também tiveram redução de 39,11% no Brasil, segundo o INCA, na comparação dos meses de março a dezembro de 2019 e 2020. Em 2019, foram realizados 737.804 desses procedimentos e, em 2020, um total de 449.275. As maiores quedas ocorreram em abril (-63,3%) e maio (-62,6%), período de pico da primeira onda de Covid no país e, segundo especialistas, a queda nas biópsias para diagnóstico de câncer têm sérios impactos sobre a mortalidade de pacientes com câncer, já que muitas pessoas não estão sendo diagnosticadas ou tratadas durante a pandemia, o que permite que o tumor se desenvolva.

O oncologista do Grupo Oncoclínicas, Max Mano, ressalta que “o câncer não espera”. A condição faz parte da lista de doenças estabelecidas pelo Ministério da Saúde, cujo tratamento não pode ser considerado eletivo. Atualmente, segundo dados do GLOBOCAN, mais de 1,5 milhão de brasileiros têm tumores malignos, e em 2020 foram diagnosticados 592.212 novos casos e 259.949 óbitos registrados em decorrência de neoplasias malignas. Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) indicam que pelo menos mais 625 mil diagnósticos de câncer são esperados até o final de 2021.

Fonte: Grupo Oncoclinic

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