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Trabalho remoto (Andrew Neel / Pexels)

A transformação digital acelerada pela pandemia Covid-19 e seus impactos na cultura corporativa foram os temas de um workshop promovido pela XP na conferência online “Juntos 2021: Inspirando, desenvolvendo e conectando talentos negros”, organizada pela consultoria McKinsey neste fim de semana.

O painel “Transformação digital é uma transformação cultural” contou com a participação de Wesley Miquelino, gerente de ESG da XP, e Caroline Becker, gerente de transformação da empresa.

Miquelino definiu o conceito de “cultura” como o conjunto de pressupostos que orientam o comportamento, as atitudes e a tomada de decisão nas empresas.

São princípios “intangíveis”, mas se manifestam na forma da estrutura organizacional da empresa – hierárquica ou horizontal – e nos processos – como a interação entre as áreas, se há interdisciplinaridade e como as decisões são tomadas.

Eles também se manifestam como elementos tangíveis, como a aparência e o layout das instalações físicas. Salas individuais para diretores e cubículos fechados para funcionários indicam uma estrutura hierárquica; os espaços abertos, por outro lado, apontam para uma organização mais horizontal.

A cultura não é monolítica, ela pode mudar devido a diversos fatores, demandas de mercado ou mudanças na própria estratégia da empresa. A transformação da cultura corporativa costuma ocorrer em quatro etapas, segundo Miquelino: definição de objetivos, identificação de prós e contras, adequação de mecanismos como processos internos e implantação.

O último é o mais difícil. “Neste momento, a coerência é essencial”, afirmou.

trabalho remoto

A crescente adoção de ferramentas digitais é um fator de transformação significativo, como a pandemia tornou evidente. A Covid forçou as empresas a irem direto para a implementação, em face de fatores externos e imprevisíveis.

“Alguns elementos de reforço da cultura não estão mais disponíveis. O escritório falou muito ”, observou Miquelino.

Além da aparência do local de trabalho, ele mencionou o contato direto entre os colegas, o processo de integração – os profissionais contratados durante a pandemia não conhecem seus pares pessoalmente – e até as interações informais, como coffee breaks ou hora feliz. “São processos de reconhecimento que se perderam e precisaram ser substituídos nas corporações”, comentou o executivo.

Caroline acrescentou que a transformação digital já é o “grande protagonista” na busca das empresas por mais agilidade como diferencial competitivo, além da capacidade de adaptação a novos cenários e estruturas mais horizontais, com maior autonomia na tomada de decisões. “A pandemia é um superexemplo de adaptação”, disse ele.

Em pouco tempo, empresas e indivíduos tiveram que se adaptar ao modelo de trabalho remoto que, mesmo com o resfriamento da Covid, deve seguir 100% ou parcialmente, dependendo da organização.

Este processo ainda está em andamento e exigirá muita harmonia até que um equilíbrio saudável entre casa e trabalho seja encontrado. Se os profissionais do trabalho remoto não perdem mais tempo com transporte e podem se dedicar mais às tarefas pessoais, a barreira entre a vida pessoal e profissional se torna mais tênue.

Conselhos para o escritório em casa

A este respeito, Becker deu alguns conselhos para quem está trabalhando em casa.

Em primeiro lugar, é imprescindível uma boa infraestrutura: computador, fones de ouvido, sinal de internet e um espaço que garanta uma posição confortável para o trabalho.

Aí é preciso fazer ajustes na rotina, para separar a equipe do profissional. “É colocar o arranjo na mesa”, disse o gerente. Ou seja, lembrando e cumprindo os horários combinados.

Ir para o trabalho, caminhar pela empresa, sair para almoçar são atividades físicas. Em casa isso não acontece. Ela sugere fazer exercícios. Coma e beba líquidos. Sozinhos, tendemos a não prestar muita atenção aos intervalos ou intervalos para o almoço.

Disciplina é a palavra-chave, pois também existem muitas distrações em casa, como crianças, animais, TV, trocar mensagens com os amigos, etc.

Becker recomenda a Técnica Pomodoro, que consiste em alternar 25 minutos de trabalho com cinco intervalos por quatro vezes consecutivas, devendo o último intervalo ser mais longo, de até 15 minutos.

Para ela, esse modelo induz disciplina e evita que a pessoa se ocupe com coisas diferentes ao mesmo tempo.

Outra dica é usar as ferramentas de comunicação da empresa para se comunicar de fato com os colegas, como o teletrabalho em interações limitadas. A ideia é agendar conversas individuais, conhecer pessoas e trocar ideias.

A empatia é importante: é preciso lembrar que do outro lado está uma pessoa passando pelos mesmos problemas.

Nas reuniões, convide apenas quem precisa, prepare-se, evite muitos tópicos, assuma a responsabilidade e defina os próximos passos. É importante respeitar os horários, pois a tolerância a atrasos tende a ser menor nas conversas online.

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