» Siga o MELHOR conteúdo do @radialistapessoa no Instagram e fique por dentro de tudo que acontece em sua cidade.

https://audio.audima.co/audima-widget.js

Germano Viana Xavier

Quando encontramos um poeta / escritor a conselho de outro bucaneiro ligado às artes, é lógico que a tendência é para uma boa surpresa, contentamento, a beleza da descoberta. Isso é quase uma regra, é muito raro dar errado. Quando o escritor Rômulo César Melo me falou sobre o Newton Messias, eu já estava esperando a esperança. Então, com pouco tempo, recebi em casa o livro EM MAR ALBERTO – 101 RETRANCAS (Mondrongo, 2019), e foi como colocar a bola na marca do pênalti. Tudo pronto.

O livro de Newton é um evento completo. Palco, torcedores, árbitros, jogadores (os versos), traves… Newton é o técnico, e por isso escolheu a “retranca”, forma poética inventada e difundida em primeiras doses por Alberto da Cunha Melo, uma espécie de Telê Santana neste estilo de jogo poético. Mesmo eu, um tanto avesso às formas fixas da literatura em geral, não tive como esconder a diversão instantânea das cartas que me passavam pela frente ao ler EM MAR ALBERTO … foi uma explosão e foi isso, eu já tinha leia a descendência de Newton.

Primeiro: gostei muito porque estava lá aprendendo uma forma de poesia que ainda não conhecia. Segundo: Newton me provou que é um poeta que, apesar de escolher o “outstretch”, gosta muito de jogar no ataque. E em uma equipe que está vencendo, meus nobres, vocês não podem se mover ou ousar falar mal. Encantado de imediato com aquele time de poemas, me coloquei como torcedor nas arquibancadas. Eu estava torcendo, torcendo, torcendo, com cada novo poema, cada novo trigêmeo, cada novo quarteto, cada novo dístico, cada nova composição. Resultado: o time de poemas que o técnico Newton Messias colocou em campo não só venceu o jogo, mas também se classificou para as finais do campeonato, um universo que só os bons ou os muito bravos podem alcançar.

O livro está dividido em quase uma dúzia de partes: espelho d’água (um poeta mais interiormente, com toques narcísico-filosóficos muito proeminentes); água no joelho (um poeta que prefere falar sobre táticas de guerra “literárias” e adendos; recifes (um poeta livre em sua vida diária de fé e redemoinho); água nos ombros – estrondos de Peroba (um poeta que entra e sai do mar, escrutinando a sinfonia de Poseidon, água sobre os ombros – estabilizadores da Vila (um poeta ainda mais perto do solo e mais perto das luas das gaivotas), sereias: mar aberto (um poeta com sua própria, domando Poesia – marinha leoa); água sobre sua cabeça (um poeta ferido, exceto pela dor salgada de viver) Ao todo, uma boa pegada em um pouco de tudo no mundo encharcado de forma estável, mas apto à causa das instabilidades gerais de os instantes.

O livro EM MAR ALBERTO – 101 RETRANCAS nos leva diretamente aos oceanos albertinos das inovações primevas, mas também tem a capacidade de revelar traços musicais e semântico-discursivos maduros de um gaio Newton Messias, atento às andanças, um trabalho com águas do suficiente. lastro para pousar nas cabeceiras sem dormir de leitores ansiosos por uma voz realmente nova e firme de poesia.

Entrevista com Newton Messias GERMANO XAVIER

– Newton, por que o Boom? NEWTON MESSIAH

– Porque tenho simpatia pelas formas fixas. Assim que conheci os desabafos de Alberto da Cunha Melo, comecei a escrever dessa forma muito interessante e mais adequada à linguagem contemporânea do que o soneto. GERMANO XAVIER

– Quem é Alberto da Cunha Melo para você e como se vincula o cenário poético à produção de “Retranca” na poesia nacional? Existem poetas que usam esta forma em outro país? NEWTON MESSIAH

– Alberto da Cunha Melo foi um poeta pernambucano de Jaboatão dos Guararapes, falecido em 2007. Sua obra completa foi publicada pela Record em 2017, contendo seus livros lançados e um grande número de poemas não publicados em sua vida. Sua obra mais conhecida é a narrativa Yacala, de 1999, toda escrita em guindastes. Em 2018, a editora Mondrongo lançou a Antologia Brasileira de Retranca, com a participação de 35 poetas de todo o país, mostrando que o poeta e sua forma não são tão desconhecidos quanto alguns, inclusive eu, pensavam.GERMANO XAVIER

– Por favor, Newton, conte-nos um pouco mais sobre o seu IN MAR ALBERTO – 101 STRIKES (Mondrongo, 2019)? Como foi o processo criativo da obra? NEWTON MESSIAH

– Em Mar Alberto está o meu segundo livro de poesia, o primeiro, Passagem, foi uma edição pessoal. Comecei a trabalhar com os Retrancas no início de 2017. Estimulado por Cláudia Cordeiro, grande divulgadora da obra de Alberto, sua companheira, cheguei ao número de 101 poemas no final de 2018. Gustavo Felicíssimo, dono do Mondrongo, que tem apenas um livro de Retrancas , e que conheci na internet em 2017, concordei em publicar a coleção. No livro, trago vários temas: poesia, política, sociedade, religião, amor, etc. A influência da dicção albertina é bastante evidente, mas procurei imprimir um estilo pessoal, que espero ter conseguido. Foi assim. GERMANO XAVIER

– Repito a mesma pergunta que fiz recentemente ao escritor Rômulo César Melo: parafraseando e ampliando o pensamento de David Lodge, para o qual todo texto implica uma troca constante, envolvendo estruturas formais e todas as aberturas que a vida possibilita, o que você pensa a relação Forma Fixa (Outfit) x Poesia x Contemporaneidade? NEWTON MESSIAH

– nenhum poeta cria do nada, embora alguns imaginem que podem fazer algo de bom sem se afastar de alguma tradição. Ilusão. Tenho muito respeito pelos poetas que me precederam, e reconheço no que faço a forte influência de vários deles e deles. Não acho que a forma fixa e o verso rimado estejam m0rtos*. Também não acho que faça sentido escrever sonetos como os parnasianos fizeram. Os temas e o estilo devem refletir as preocupações do complexo mundo contemporâneo, com sua fragmentação, ansiedades e crises. Eu valorizo ​​a tradição tanto quanto a inovação, passado e futuro, verso medido e livre. As formas estão a serviço da poesia e do poeta, nunca o contrário. GERMANO XAVIER

– Newton, você tem formação em música. Como seu conhecimento musical permeia sua obra literária? Existe simbiose? Conte-nos um pouco sobre a importância da Geração 65 para o cenário nacional, suas maiores referências e, se possível, conte-nos também sobre seus planos literários futuros. NEWTON MESSIAH

– A música me deu um bom ouvido para o som e o ritmo do verso, sem dúvida, vários leitores já me disseram isso. Caso contrário, não sei como meu treinamento afeta minha poesia. Eu espero que você me diga.

A geração de 65 anos é milagrosa: além do Alberto, gosto e leio Paulo Gustavo, Ângelo Monteiro e José Mário Rodrigues. Também Marcus Accoly, José Luiz, Frederico Spencer, Terezinha, etc. É um grupo que todo poeta pernambucano que preza pela tradição deve conhecer pela qualidade de sua obra.

Minha influência mais óbvia é Alberto da Cunha Melo, mais, e João Cabral de Melo Neto, menos. Você também não pode escapar de Drummond e da Bíblia.

O próximo livro deve conter mais poemas em verso livre, mas também estrondos, sonetos, rodadas, haicais, etc. Gosto dessa versatilidade na poesia. Minha musa é multiversátil.
Germano Xavier nasceu em Iraquara, Chapada Diamantina-Bahia, em 1984. Jornalista pela UNEB e mestre em Letras pela UPE. Publicou o livro Clube de Carteado (Franciscana, 2006). Seu livro de contos intitulado Sombras Adentro (ainda não publicado) foi finalista do IV Prêmio Pernambuco de Literatura (2016). Em 2021, publicou o livro The Cornered Man (Penalux), que constitui a primeira parte da Trilogia Centauro. Escreva para encontrar o equador de todas as coisas.

** Este texto é de responsabilidade exclusiva do autor.

Não reflete necessariamente a opinião de Só Sergipe.

console.log (‘Aud01’); O pós Pelos mares da boom apareceu pela primeira vez em Só Sergipe.

Deixe uma resposta