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12 de outubro de 2021, 9h51

A vi0lência* tem o potencial de as vítimas repetirem o mesmo comportamento no futuro

No primeiro semestre deste ano, foram registradas 50.098 mil denúncias de vi0lência* contra crianças e adolescentes no Brasil, segundo dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos (MDH). Em Sergipe, este ano – entre janeiro e setembro -, segundo levantamento da Coordenação de Estatística e Análise Criminal (CEACrim), da SSP, foram registrados 2.395 casos de vi0lência* contra crianças e adolescentes. Destes casos, ocorreram 425 ameaças, 334 lesões corporais, 351 estupros de pessoas vulneráveis ​​e 226 casos de abusos e outros tipos de agressão.

Ainda de acordo com dados do CEACrim, em Sergipe, no ano passado foram registrados 2.123 casos de vi0lência* contra vítimas com idade entre 0 e 17 anos. Dessas ocorrências, foram registrados 382 registros de ameaças, 310 de lesões corporais, 275 de 3stupr0* de pessoa vulnerável e 194 de maus-tratos. Além de outros tipos de agressão.

Quanto às mais de 50 mil reclamações em todo o país, 40.822 (81%) ocorreram no domicílio. A maioria das violações é cometida por pessoas próximas à vida familiar. A mãe aparece como a principal estupradora, com 15.285 queixas; seguido pelo pai, com 5.861; padrasto ou madrasta, com 2.664; e outros membros da família, com 1.636 registros. Os dados são do Disque-100, um dos canais da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. No mesmo período do ano passado, em 2020, o número de reclamações chegou a 53.533.

Ainda de acordo com o MDH, mais de 93% das reclamações (30.570) são contra a integridade física ou psicológica da vítim*. O cadastro da Ouvidoria apresentava 7.051 restrições a algum tipo de liberdade ou direito individual da criança e do adolescente. Além dessa constatação, o MDH identificou que 3.355 vítimas também tinham direitos sociais básicos, como proteção e alimentação, retirados. Um dos dados mais preocupantes é a frequência das violações registradas. Mais de 70% ocorreram todos os dias, conforme apontam 23.147 denúncias e, do total do primeiro semestre, 10.365 ocorreram mais de um ano antes do registro na Ouvidoria.

cultura da vi0lência*

O delegado Ronaldo Marinho, da Polícia Especial de Atendimento a Crianças e Adolescentes Vítimas (Deacav), vinculado à Secretaria de Atendimento a Grupos Vulneráveis ​​(DAGV), lembrou que a vi0lência* contra crianças e adolescentes ocorre principalmente no ambiente doméstico.

“Temos uma cultura de vi0lência* contra nossas crianças e adolescentes que permeia a sociedade. Essa vi0lência* é praticada no dia a dia, começando com agressão verbal, psicológica e depois física. Também temos uma prática reiterada de crimes sexuais contra crianças e adolescentes. É uma gama de tipos de criminosos que têm vitimado nossas crianças e adolescentes ”, destacou.

Marcas que se repetem

Conforme o delegado, a maioria dos agressores são aqueles que deveriam cuidar das vítimas. “Por incrível que pareça, eles são os que deveriam proteger. Os pais são os maiores agressores. As mães são grandes agressoras, pois passam a maior parte do tempo cuidando de crianças e adolescentes. Pais e mães criados em uma cultura de vi0lência* acabam reproduzindo essa vi0lência* na formação e educação dos filhos ”, revelou.

Ronaldo Marinho destacou ainda que a pandemia – com a retirada de crianças e adolescentes da escola – contribuiu negativamente para a vi0lência*. “A ausência da sala de aula e a ausência da escola acabaram intensificando essa convivência no ambiente familiar. Em casas que muitas vezes não têm espaço físico adequado, o que aumenta o conflito e a vi0lência* dentro das casas. Verificamos que houve um aumento considerável no número de registros de ocorrências ”, destacou.

como vai ser o futuro

Com a vi0lência* vinda dos próprios pais e mães, crianças e adolescentes acabam procurando outras empresas, o que pode levar ao envolvimento em práticas criminosas, como o tráfico de drogas.

“Parte dos fatos que acontecem dentro das casas dificilmente são relatados. É por causa da nossa cultura de que se pode dar um tapa para educar, acabamos aceitando isso para com nossos vizinhos e parentes como algo natural. Qualquer agressão física e verbal é um tipo de vi0lência*. No momento, pode não refletir, mas marcará para sempre. Temos relatos de fugas por causa da vi0lência* em ambientes onde não se sentem bem-vindos. Isso também aumenta o consumo de drogas ilícitas ”, disse.

Dial-100

Além do Disque-Denúncia (181), a comunicação de atos de violação de direitos humanos também pode ser encaminhada ao Disque-100. As reclamações podem ser feitas por qualquer pessoa a qualquer hora do dia ou da noite, incluindo sábados, domingos e feriados. Por meio do Disque-100, além de registrar e encaminhar os casos aos órgãos competentes, a Ouvidoria recebe reclamações, sugestões ou elogios sobre o funcionamento do atendimento.

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