Retrospectiva: Botafogo vai do lixo ao luxo em 2021 #esporte

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O Botafogo iniciou a temporada de 2021 da pior forma possível. Por conta da pandemia, o Campeonato Brasileiro de 2020 terminou apenas em fevereiro, com o time na lanterna e rebaixado. O clube tinha um novo presidente, Durcesio Mello, e precisava se reestruturar em tempo recorde. Isso porque não houve férias e muito menos tempo de planejamento, já que o Campeonato Carioca começou logo após o fim do Brasileirão.

“O desafio realmente foi maior pelo cronograma apertado e pelo fato de termos um orçamento curto e pouco para usar a nosso favor. Mas acredito que fomos capazes, aos poucos, de organizar a situação”, lembrou Durcesio pouco depois. a adesão.

Em números, o Botafogo pode se orgulhar de ter perdido pouco. Foram 55 jogos com 26 vitórias, 18 empates e 11 derrotas. Glorioso marcou 78 gols e sofreu 42, com saldo positivo de 36 gols. Rafael Navarro, com 16 gols, foi o maior goleador.

Campeonato Carioca marcado por sorteios

O Botafogo apostou em Marcelo Chamusca, comandante famoso por acessar torneios nacionais, para ser o treinador. O técnico e os dirigentes optaram por fazer do Estado um laboratório na formação do elenco que lutaria na Série B do Campeonato Brasileiro.

Alguns nomes chegaram à Série B, como o zagueiro argentino Joel Carli, que voltou ao clube carioca, e o meia Marco Antônio. Aos poucos, jogadores que carregavam grandes expectativas se tornaram figurantes do elenco, como o zagueiro Gilvan, o volante Matheus Frizzo e o meia Ricardinho.

Com o plantel enfraquecido e apostando na base, o Glorioso patinou na competição. Ele empatou oito dos 15 jogos que disputou, vencendo seis deles. Além disso, nem chegou à semifinal, terminando o torneio em sexto lugar.

Na Taça Rio, prêmio de consolação, perdeu a decisão para o Vasco, nos pênaltis.

Copa do Brasil foi um preço a pagar

Como as primeiras fases da Copa do Brasil foram disputadas paralelamente ao Campeonato Carioca, o Botafogo calculou mal os riscos na competição nacional. Nem tanto na fase inicial, quando superou o Campinense por 5 a 0.

Na segunda fase cruzou o caminho do ABC. Jogo único e empate nos pênaltis. E foi o que aconteceu. O 1 a 1 no tempo normal levou a sorte do duelo para os pênaltis, e o time do Natal foi mais eficiente.

“Foi um golpe que ninguém no clube esperava”, disse Durcesio.

Após a eliminação, a torcida do Botafogo discutiu com os jogadores e acusou o meia Felipe Ferreira de gestos obscenos. Kanu, zagueiro, baseman e um dos poucos a resistir ao rebaixamento, foi quem mais falou com a torcida.

“Aquele jogo foi um grande sofrimento porque não o esperávamos e doeu muito. Mas serviu de combustível para todos que ficaram na Série B”, disse Kanu, o atleta que mais jogou na temporada pelo Glorioso: 50 vezes .

A reação na Série B

Com Marcelo Chamusca desacreditado, o Botafogo começou a Série B de forma positiva. Nos primeiros quatro jogos, conquistou dois empates fora de casa e duas vitórias em casa. Uma espécie de matemática perfeita para acesso. Porém, as coisas começaram a mudar com a derrota por 3 a 1 para o Náutico, em Pernambuco.

A equipe então perdeu para o Sampaio Corrêa, por 2 a 0, no Maranhão, e entrou em rota irregular. A queda do treinador era questão de tempo e aconteceu depois de um empate por 3 a 3 com o Cruzeiro, no Rio de Janeiro.

O Alvinegro ainda perderia por 2 a 1 para Brusque e 2 a 0 para o Goiás antes de anunciar a substituição: Enderson Moreira, que também chegou sob suspeita.

“Era preciso primeiro conhecer o elenco e depois entender como agir. Os jogadores abraçaram a causa. O que esse grupo do Botafogo conquistou foi algo histórico e marcante. Para encher a todos de orgulho”, disse o treinador.

“Antes de o Enderson chegar, nós nos reuníamos. Sabíamos que precisávamos jogar como o Botafogo, pela grandeza do clube, sempre tentando fazer os gols”, disse o atacante Diego Gonçalves, em entrevista coletiva na reta final da competição.

O Enderson estreou com uma vitória por 1 a 0 sobre o Confiança, em Sergipe, e corrigiu uma seqüência de quatro vitórias consecutivas. Depois vieram mais triunfos e a equipe se posicionou de uma vez por todas como candidata ao acesso.

O retorno foi selado com três rodadas de antecipação e a conquista do título na penúltima rodada. O ano mostrou um Botafogo que passou do lixo ao luxo em dez meses.

Projeções para a próxima temporada

O Botafogo já começou a pensar nos seus planos para 2022. No entanto, vem batalhando na tentativa de manter o elenco para a próxima temporada. Além disso, também sofrerá para buscar reforços.

“Infelizmente, o clube está rebaixado financeiramente até maio”, disse o vice-presidente geral Vinicius Assumpção.

O Botafogo vai repetir a estratégia de construir um elenco para o Carioca, que continuará como um laboratório. No Brasileiro, a ideia é lutar para se manter na elite e tentar uma vaga na Copa Libertadores.

Ao mesmo tempo, o clube tentará levar adiante o projeto de se tornar uma empresa. Se ficar fora da função, o Botafogo deve mudar de patamar ao longo da temporada.
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