» Siga o MELHOR conteúdo do @radialistapessoa no Instagram e fique por dentro de tudo que acontece em sua cidade.
A Rússia bateu novo recorde de mortes pela Covid-19 nesta quarta-feira (6) ao registrar 929 vítimas da doença, a maior taxa em um único dia desde o começo da pandemia de coronavírus – as 895 mortes confirmadas na terça-feira (5) foram as maiores marca até agora. Com um total de mais de 212.000 mortes por coronavírus, a Rússia é o quinto país com mais mortes, atrás dos Estados Unidos, Brasil, Índia e México.

A tendência de aumento da mortalidade entre os russos permanece, sem sinais de desaceleração. O país confirmou novos registros de mortes por coronavírus em períodos de 24 horas em 7 dos últimos 9 dias.

Para as autoridades russas, o que pode explicar o crescente número de mortes é a estagnação da campanha de vacinação e o avanço da variante delta. Segundo o portal Our World in Data, vinculado à Universidade de Oxford, os russos com esquema de vacinação completo não chegam a 30% da população até esta terça-feira. Aqueles que receberam pelo menos uma dose do imunizante são 33,4%.

Os números indicam que a resposta imune estimulada pela vacina, que reduz significativamente as chances de a doença progredir para qualidades graves e mortes, está faltando na Rússia.

A vice-primeira-ministra Tatiana Golikova disse na terça-feira que a proporção de pacientes vacinados entre os mortos não ultrapassa 2%. Em outras palavras: mais de 98% das pessoas que morreram de Covid-19 na Rússia nos últimos dias não receberam a vacina. “Os números são na verdade muito ruins e isso é na verdade motivo de preocupação”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. “O vírus está se tornando mais virulento. Como regra, aqueles que não são vacinados ficam gravemente doentes e infelizmente morrem.”

Existem duas hipóteses principais para explicar a hesitação sobre a vacina. A primeira é que os russos tradicionalmente têm medo de novos produtos médicos. A segunda está relacionada à desconfiança das autoridades.

Assim, o fato de o presidente Vladimir Putin afirmar que a vacina Sputnik V, desenvolvida em seu país, é “simples e confiável como um rifle AK-47” parece ter pouco efeito na população.

Ainda na quarta-feira, a Rússia registrou 25.133 novos casos de Covid-19. Já são cinco dias consecutivos com infecções diárias acima da marca de 25 mil. Embora o número seja inferior ao pico de quase 30 mil novos casos registrados em 24 de dezembro de 2020, representa um aumento de mais de 230% em relação ao registrado em maio, quando o país parecia caminhar para a estabilidade do contágio.

Na época, o primeiro caso da variante delta na Rússia havia sido confirmado há 3 meses. Hoje, essa cepa, mais contagiosa e potencialmente mais letal, responde por quase 100% das infecções no país.

O primeiro-ministro Mikhail Mishustin disse na segunda-feira que o governo está “seriamente preocupado” com o aumento das infecções, acrescentando que as hospitalizações de Covid dobraram em comparação com o mesmo período em 2020 e criticando as taxas de vacinação “insuficientes”.

Várias regiões da Rússia reintroduziram restrições para tentar reprimir a disseminação do vírus, como isolamento e fechamento de espaços públicos. Na quarta-feira, o presidente do Conselho da Federação – equivalente ao Senado brasileiro – afastou a possibilidade de medidas de contenção semelhantes em âmbito federal.

Conforme Valentina Matviyenko, os esforços do governo serão suficientes para evitar o bloqueio. Ela ainda disse que “não haverá e não pode haver” quaisquer medidas para tornar a vacinação obrigatória.

“Não deveria haver nada além de uma decisão voluntária da maioria dos nossos residentes, que percebem que esta é a única maneira de evitar que a pandemia de coronavírus se espalhe”.

    .

Deixe uma resposta