Suspeita de interferência de Bolsonaro dá força à CPI do MEC e pedido pode ser oficializado hoje



São Paulo – O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) confirmou à imprensa que deve protocolar nesta terça-feira (28) pedido de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar denúncias de “tráfico de influência e corrupção” no Ministério da Educação (MEC) sob o comando do ex-ministro e pastor Milton Ribeiro.

Líder da oposição na Câmara Legislativa, Randolfe começou a semana reforçando a pressão para instalação da CPI do MEC que ganhou mais força após a suspeita de interferência do presidente Jair Bolsonaro na investigação da Polícia Federal. O senador é o autor do pedido e já obteve 28 assinaturas das 27 necessárias para a criação da comissão, segundo o Regimento do Senado. “Todos os pré-requisitos para instalação da CPI MEC estão presentes. A CPI dará à PF e ao MP a tranquilidade de realizar a investigação sem qualquer tipo de interferência política”, postou Randolfe no Twitter. “Precisamos limpar toda a corrupção desse governo”, reforçou.

Os aliados do governo já estavam sendo pressionados pela série de suspeitas que pesavam sobre o ex-ministro da Educação desde março. A pressão aumentou exponencialmente após a Operação Acesso Pago, da Polícia Federal, lançada na última quarta-feira (22), que prendeu Ribeiro e outros dois pastores do esquema montado na pasta.

suspeita de interferência

Ainda na semana passada, o delegado da PF Bruno Callandrini – responsável pela operação – lamentou, em mensagem enviada aos colegas pelo sistema da corporação, que a investigação envolvendo corrupção no MEC “Foi minado pelo governo”. Segundo o delegado, “pelo tratamento diferenciado concedido pela PF ao investigado Milton Ribeiro”.

Na sexta-feira (24), áudios do ex-ministro reforçaram as suspeitas de interferência quando, em conversa com a filha, Milton Ribeiro confessa ter recebido uma O apelo de Bolsonaroem que o presidente teria manifestado medo de ser atingido pela investigação da Polícia Federal.

A base do governo, que é contra a criação da CPI, agora vai depender da vontade ou não do presidente da Câmara, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), em instalar a comissão. Conforme relatado a RBA, os aliados de Bolsonaro devem tentar contra-atacar com o pedido de abertura de CPI para investigar obras paradas do MEC em governos anteriores (que já contam com 28 assinaturas) ou para investigar a atuação de ONGs, ecoando o discurso do Planalto. Em outra manobra, a base governista também quer tentar dissuadir dois parlamentares que apoiaram o pedido de Randolfe, como Eduardo Braga (MDB-AM) e Giordano (MDB-SP).

A disposição de Pacheco

Em abril, os aliados do presidente conseguiram que três senadores retirassem as assinaturas que a oposição já havia obtido para a CPI do MEC. Hoje, porém, os bolsonaristas sabem que tal operação é mais difícil. De acordo com UOL, o senador Eduardo Braga já reforçou que vai manter a assinatura. Giordano não comentou, porém, até a noite desta segunda-feira (27), seu nome ainda estava entre os apoiadores da proposta.

Apesar da pressão, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) já antecipou que o Legislativo ainda vai analisar se as exigências atendem às exigências. Além disso, embora afirme que as acusações contra Ribeiro são “graves” e que precisam ser investigadas pelas autoridades, Pacheco também ressaltou que o cenário do ano eleitoral “prejudica o trabalho desta e de qualquer outra CPI”.

Randolfe argumenta, no entanto, que a comissão é um direito constitucional da minoria no Congresso e que “Pacheco é um constitucionalista”.

Confira quem assinou o pedido de abertura da CPI do MEC

Randolfe Rodrigues

Paulo Paim (PT-RS)

Humberto Costa (PT-PE)

Rafael Tenório, suplente de Renan Calheiros (MDB-AL)

Fabiano Contarato (PT-ES)

Jorge Kajuru (PODEMOS-GO)

Zenaide Maia (PROS-RN)

Paulo Rocha (PT-PA)

Omar Aziz (PSD-AM)

Rogério Carvalho (PT-SE)

José Antonio Reguffe (União Brasil-DF)

Leila Barros (PDT-DF)

Jean Paul Prates (PT-RN)

Jacques Wagner (PT-BA)

Eliziane Gama (Cidadania-MA)

Mara Gabrielli (PSDB-SP)

Nilda Gondim (MDB-PB)

Veneziano Vital (MDB-PB)

José Serra (PSDB-SP)

Tasso Jereissati (PSDB-CE)

Cid Gomes (PDT-CE)

Alessandro Vieira (PSDB-SE)

Dario Berger (PSB-SC)

Simone Tebet (MDB-MS)

Eduardo Braga (MDB-AM)

Soraya Thronicke (União Brasil-MS)

Giordano (MDB-SP)

Izalci Lucas (PSDB-DF)


Roteiro: Clara Assunção – Montagem: Helder Lima

A postagem Suspeita de interferência de Bolsonaro dá força à CPI do MEC e pedido pode ser oficializado hoje apareceu primeiro em Rede atual do Brasil.

Deixe uma resposta