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Tribunal da Internet: qualquer pessoa que julga e condena precipitadamente contribui para a mort3

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Marisa Lobo – 05/10/2021 11h45

Borel Foto: Reprodução

Não há dúvida de que o surgimento das redes sociais trouxe muitos benefícios, como facilidade de comunicação, informação e entretenimento. Todavia o planeta virtual ainda é algo que, como outras coisas, se usado de forma errada, pode trazer muitos prejuízos, e um deles é o chamado “tribunal da internet”, uma realidade triste e perigosa que pode até contribuir para a mort3 .

No minuto em que escrevo este texto, falta o cantor Nego do Borel, conforme relata a mãe do artista, que registrou seu desaparecimento nesta segunda-feira (4), na 42ª DP (Recreio), logo após tentar evitar, sem sucesso, que o filho saiu de residência. O episódio aconteceu poucos dias depois de ele ter sido expulso do reality show A Fazenda 13.

Conforme a produção do programa, a expulsão de Borel aconteceu pois que ele passou a ser acusado de ter cometido “3stupr0 vulnerável”, logo após ter dormido com a modelo Dayane Mello à noite, enquanto ela estava embriagada, conforme relatos de participantes do programa. A equipa do cantor afirmou, no mesmo dia da sua partida, que iria “provar mais uma vez toda a sua inocência”.

Prudência, discernimento e uma advertência
Meu alvo no texto desta semana não é abordar as suspeitas envolvendo o Nego do Borel. O que é da competência judicial deve ser tratado na esfera judicial. A minha competência, ao contrário, é a psicológica, e é por aí afora que entra a preocupação com o chamado “tribunal da internet”, sobre o qual quero fazer algumas observações gerais.

A primeira delas é justamente sobre o maior perigo desse tipo de tribunal, que é o julgamento precipitado dos fatos. Muitos internautas não fazem diferença entre acusação, suspeita e condenação e, então, já estão condenando pessoas físicas pela suposta prática de delitos, mesmo sem a existência de qualquer condenação judicial, devidamente aprovada e julgada.

Muitas vezes o acusado nem tem chance de se defender, pois, ao acessar suas redes sociais, elas já são “canceladas” pelo público.

Quero deixar claro, mais uma vez, que não estou defendendo “A” ou “B”, nem fazendo acusações favoravelmente ou contra o referido caso. Estas são observações gerais sobre um problema real e preocupante, que devem ser trazidas como um alerta à sociedade.

A forma correta de reagir a situações desse tipo é tratar cada caso segundo a fase de investigação em que se encontra. Se é uma denúncia, como uma denúncia; se acusado, como acusado; se como uma condenação, como uma condenação. Nunca do jeito que não é, pois que, assim, corremos o risco de acusar e condenar pessoas por delitos que não cometeram, trazendo sobre elas até danos irreparáveis ​​de ordem emocional, financeira, familiar, etc.

Em alguns casos, esse tipo de condenação prévia é muito grave, pois não se trata de acusações simplistas, como a de quem não pagou uma dívida de R $ 100,00, por exemplo, contudo coisas muito graves, como o 3stupr0. Quem sofre esta acusação, se na verdade cometeu o crime, deve ser julgado e devidamente condenado.

Todavia e se a acusação não prosperar? Se a suspeita não for confirmada pelo tribunal e o arguido for declarado inocente, que tal a reputação e o estado psicológico dessa pessoa, logo após ter sido massacrada publicamente e previamente condenada no “tribunal da Internet”?

Já tivemos casos reais na imprensa de pessoas que foram espancadas, literalmente espancadas e mortas logo após falsas acusações circularem na internet. Os inocentes, então, foram vítimas de julgamentos precipitados e errados de cidadãos comuns que se deixaram influenciar por este tipo de “tribunal”.

Essa é a nossa grande preocupação, e é isso que devemos evitar, pois quem julga e condena possíveis inocentes pode estar contribuindo para sua mort3, sim, emotivamente, por intervenção de depressão, destruição familiar, sequelas financeiras, ruína profissional e tantos outros efeitos destrutivos que uma injustiça de grande repercussão pode causar.

Por fim, ainda faço este alerta pois que eu mesmo fui vítima dele. Durante anos, tive que enfrentar ações judiciais movidas por grupos LGBT e ativistas que me acusaram de praticar “cura gay”. Até hoje recebo vídeos e áudios de estudantes em salas de aula, em cursos de psicologia, mostrando professores irresponsáveis ​​me acusando de fazer algo que nunca fiz. Felizmente, saí vitorioso em todos os casos!

Deste modo, diante de quaisquer acusações e suspeitas, possamos discernir melhor as coisas sem fazer julgamentos prévios. Isso não é relevante só para preservar inocentes em potencial, contudo ainda para afirmar a culpa e a convicção daqueles que são na verdade culpados pelos delitos que cometeram.

Marisa Wolf é formada em Psicologia, pós-graduada em Filosofia dos Direitos Humanos e em Saúde Mental e habilitada para o Ensino Superior.

* Este texto reflete a opinião do criador e não necessariamente do Pleno.News.

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